A SUCESSÃO EM MINAS E SEUS PRINCIPAIS ATORES

segunda-feira, dezembro 28, 2009 / /

Os últimos lances no tabuleiro da sucessão mineira  nos indica que deveremos ter nervos de aço para acompanhar as jogadas seguintes.
Com o governador Aécio Neves fora da disputa pela presidência, o vice-presidente José Alencar animado com a possibilidade de voltar ao senado e o ex-presidente Itamar com chances de ocupar a vice na chapa de Serra,  o cenário  embaralhou de vez.

Fazer uma análise certeira do que poderá acontecer a partir do primeiro trimestre de 2010, é tarefa para poucos. Em todos - ou quase todos - principais partidos o clima ainda é de expectativa e indefinição. Vejamos:

- PSDB -  Aécio pode  se dedicar à eleição de seu vice Anastasia ou de outro aliado (que pode ser PMDB) e  disputar o Senado com chances reais de vitória. O que nos resta saber é, se o seu vice vai decolar e se viabilizar eleitoralmente. Importante lembrar que mesmo com todo prestígio do governador, o seu  candidato  Márcio Lacerda  quase perde a prefeitura de BH para o candidato do PMDB, Leonardo Quintão nas eleições de 2008.
Tanto Márcio Lacerda como o professor Antônio Anastasia têm características similares, são bons técnicos mas pouco políticos.

- PMDB - O partido tem preferência em uma aliança de centro-esquerda, tendo o  PT de Lula como o  aliado natural. Porém, a disputa interna entre os dois pré-candidatos, Patrus e Pimentel e a indefinição em torno dos nomes pode jogar o PMDB de Hélio Costa nos braços dos tucanos.
O  Ministro Hélio Costa está em situação confortável, é líder em todas as pesquisas de intenção de voto até o momento,  seu nome é sempre lembrado por Lula seja para o governo de Minas, seja para compor a chapa de Dilma como vice-presidente. No pior cenário pode sair ao Senado.

- PT - O partido tem se mostrado rachado deste as eleições municipais de 2008. A situação piorou com  o processo de eleição direta, o PED, onde as duas alas do partido se acusaram mutuamente. Em um processo conturbado e com pequena diferença, o candidato apoiado pelo ex-prefeito Pimentel saiu vencedor. O grupo apoiado pelo Ministro Patrus Ananias defende as prévias para escolha do candidato ao governo, o grupo de Pimentel descarta a necessidade de prévias.

- PRB- Animado com os resultados de seu tratamento contra o cancer, José Alencar pode ser o elo de uma  composição entre os partidos da base de Lula e  como fiador  de uma aliança PMDB/PT/PRB Alencar pode ser candidato ao senado ou até mesmo à  vice, tornando a chapa ao governo quase imbatível.

- PPS - Traz de volta a cena política o ex-presidente Itamar Franco como possível vice na chapa do PSDB.  Itamar, é a tentativa de Serra para se viabilizar em Minas Gerais e não deixar este importante colégio eleitoral nas mãos de Dilma e do PT.  Porém, o ex-presidente conta ainda com uma grande rejeição por parte de aliados de Serra que ainda defendem uma chapa puro sangue. Há quem diga  que Itamar é o presente de grego de Aécio para Serra.
Com um quadro destes o mais sensato é ter mesmo nervos de aço, muita paciência e atenção. Boa semana!

JORNAL O TEMPO 

Sucessão embaralhada em MG
A nove meses da eleição, nomes para governo e Senado seguem indefinidos
Rafael Gomes
O cenário político em Minas termina 2009 cercado de incertezas. A decisão do governador Aécio Neves de não disputar mais a Presidência da República em 2010 não mexeu apenas com o quadro nacional. Com a provável candidatura do tucano ao Senado por Minas, o jogo sucessório no Estado ficou ainda mais imprevisível. Quem aposta suas fichas para ser governador em 2010 pode ter que se contentar uma vaga na Câmara Federal no mês de outubro.
O curioso é que o candidato mais provável é o único que ainda não assumiu a sua candidatura. O vice-governador Antonio Anastasia ainda nega que vá concorrer ao governo em outubro, apesar de o PSDB não esconder que já até planeja as estratégias para fortalecer o nome dele a partir da segunda quinzena de janeiro. Os tucanos vão contar ainda com o governador Aécio Neves como principal cabo eleitoral. Ao que tudo indica, ele deve disputar o Senado com eleição quase certa, segundo até adversários.
A candidatura de Aécio Neves ao Senado tira de vez as chances de o senador Eduardo Azeredo tentar a reeleição em 2010. Está fora dos planos dos tucanos ocupar as duas vagas de candidatos ao Senado.
Sobrariam, assim, uma vaga para disputa ao Senado e outra de vice para compor com aliados. O próprio governador já adiantou que um dos lugares será do DEM, que deve indicar o nome do deputado federal Carlos Melles. A outra pode ser destinada ao presidente da Assembleia de Minas, Alberto Pinto Coelho (PP).
PMDB. O quadro seria ideal para os tucanos se não houvesse ainda a chance de aliança com o PMDB, do ministro Hélio Costa. Embora o partido seja da base aliada de Lula, os peemedebistas estão com relações estremecidas com o PT em Minas, devido a disputa por quem teria o direito de encabeçar a chapa única idealizada no acordo nacional firmado pelas legendas em outubro passado. Além disso, os presidentes estaduais eleitos recentemente, Reginaldo Lopes (PT) e Antônio Andrade (PMDB), defendem a candidatura própria de cada legenda, o que torna ainda mais improvável a aliança das siglas em Minas.
Sem acordo com o PT, o PMDB teria duas opções: ou sai sozinho na disputa ao governo ou se alia com o PSDB. Os tucanos até gostam da ideia e não afastam a possibilidade de um entendimento. Mas eles não podem ir com muita sede ao pote. Uma aliança com o PMDB significaria arranjar algum espaço para Hélio Costa na chapa majoritária, "desalojando" um de seus aliados no Estado.
Outro lado. A situação do lado do PT é também complexa. A vitória apertada de Reginaldo Lopes sobre Gleber Naime para a presidência estadual mostrou que o partido está dividido entre as pré-candidaturas do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, apoiado por Lopes, e do ministro Patrus Ananias, que apoiou Gleber na eleição interna.
Patrus quer a realização de prévias para definir qual será o candidato. Já Pimentel defende que o resultado da eleição para a presidência estadual da legenda seja a referência para a escolha. Nesse caso, o ex-prefeito seria o candidato petista.
A definição das candidaturas ao Senado também depende dessa disputa. Fernando Pimentel já declarou que, caso não seja o candidato ao governo pelo PT, não se interessa em disputar o Senado. Ele vai preferir coordenar a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência. Já o ministro Patrus Ananias não afasta essa possibilidade, embora também afirme que quer disputar o governo.
Cartas na mesa
Nomes dos prováveis candidatos ao governo de Minas e ao Senado em 2010
Governo
Antonio Anastasia (PSDB)
Patrus Ananias ou Fernando Pimentel (PT)
Hélio Costa (PMDB
Vanessa Portugal (PSTU)

Senado
Aécio Neves (PSDB)
José Alencar (PRB)
Patrus Ananias (PT)
Hélio Costa (PMDB)
Carlos Melles (DEM)
Alberto Pinto Coelho (PP)



De novo
Itamar pode ser vice de Serra
O ex-presidente Itamar Franco (PPS), outro nome de destaque na política nacional, pode participar da eleição nacional. Ele é a opção do PSDB de Minas Gerais para ocupar a vaga de vice na provável candidatura do governador de São Paulo, José Serra, à Presidência da República no ano que vem.
O projeto é defendido pelos apoiadores do governador Aécio Neves, que desistiu de disputar a Presidência. Itamar Franco seria uma forma de compensar a não-candidatura de Aécio ao Palácio do Planalto.
Muitos tucanos estão preocupados com o impacto da saída do governador de Minas. Eles temem que boa parte dos votos que Aécio teria caso fosse o candidato migre para a candidata do presidente Lula, que assim como o governador de Minas tem grande popularidade no Estado. Itamar seria uma forma de combater essa transferência de votos.
Mas o nome do ex-presidente encontra resistência dentro da ala do PSDB que apoia José Serra. Os tucanos serristas ainda acreditam que vão convencer Aécio a ser vice do governador paulista, em uma chapa puro-sangue do PSDB. (RG)

Candidatura de Alencar pode mudar cenário na base de Lula
Outro nome que pode embaralhar ainda mais o jogo político em Minas é o vice-presidente José Alencar (PRB). Ele está em processo de recuperação de um câncer e, caso esteja em boas condições de saúde, deve se candidatar ao Senado. “Se estiver em boas condições, tenho o dever de me candidatar”, disse Alencar.
Para líderes partidários, se Alencar concorrer, e com Aécio Neves na disputa, as negociações serão mais difíceis, mesmo com cada coligação tendo direito a lançar dois candidatos ao Senado.
Alencar e Aécio são favoritos e concorrer com eles não será nada vantajoso, a não ser para partidos pequenos que buscam projeção. Nesse, quadro os principais partidos aliados de PT, PMDB e PSDB, como PP, PPS, DEM, PPS, PCdoB e PSB, podem ficar mais interessados na vaga de vice ao governo do que a segunda vaga para o Senado. (RG)

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