ACORDO PMDB/PT GANHA FORÇA A CADA DIA

quinta-feira, março 11, 2010 / /

Artigo de Carlos Lindenberg no Hoje em Dia desta quinta, traz uma análise certeira sobre o principal assunto dos últimos dias na política mineira, o casamento entre PT e PMDB no estado.

Aliança PT-PMDB ganha força
Carlos Lindenberg


Aumentou, nesta semana, a possibilidade de um acordo entre o PT e o PMDB com vistas ao Palácio da Liberdade. Pelas conversas ouvidas nos bastidores, de ambos os lados, há entendimentos encaminhados para que o PMDB tenha a cabeça de chapa e o PT ocupe a vice e até mesmo uma das chapas para o Senado. Coisas assim são sempre negadas pelos porta-vozes dos partidos, mas há indícios fortes de que as conversas prosperam.
O que é indesmentível é que a solução em Minas será dada pelo presidente Lula, levando em conta a necessidade de dar à sua candidata, a ministra Dilma Rousseff, um palanque forte no Estado. Isso significa a combinação de todos os partidos que apoiam o presidente Lula no Congresso, à exceção de uma ou outra legenda. O objetivo seria garantir a vitória de Dilma no Estado onde o governador Aécio Neves pontifica e onde será instado a sustentar a candidatura do governador José Serra, sob pena de uma responsabilização ainda que indevida.
Complica mais para a ministra Dilma a estratégia de Serra, que quer sair de São Paulo com uma frente de mais de 4 milhões de votos. Isso, para se ter ideia, representa quatro vezes mais a diferença obtida por Geraldo Alckmin sobre Lula em 2006. Serra quer, com isso, reduzir a diferença que Dilma colocará sobre ele no Nordeste e, possivelmente, no Centro-Oeste ou Norte do país, trazendo a disputa assim para Minas Gerais, onde Aécio estará disputando o Senado e levando com ele a candidatura do vice Antonio Anastasia.
Por tudo isso é que Lula estaria manobrando para que o palanque de Dilma em Minas seja forte o suficiente para barrar a liderança do governador Aécio Neves. Pelas conversas que estão sendo mantidas, nos bastidores da sucessão, a fórmula seria aquela já anunciada aqui. O candidato ao Governo seria o ministro Hélio Costa, o vice seria o deputado federal Virgílio Guimarães, e o Senado ficaria com Patrus Ananias ou com o vice-presidente José Alencar, se ele estiver bem de saúde e liberado, não apenas pelos médicos, mas também pela família. Pelo conversado, Patrus não sairia se Alencar sair, reservando-se a outra vaga do Senado a um outro partido da coligação.
Não custa lembrar que, paralelamente a esses entendimentos, conversa-se também, no PRB, sobre a possibilidade de o vice-presidente e presidente de honra do partido, José Alencar, disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados e não no Senado. A mudança se justificaria por se tratar, a eleição de deputado, de uma campanha menos pesada do que a para o Senado, e ainda a necessidade de o PRB aumentar a sua bancada na Câmara - em Minas, por exemplo, a bancada se resume a um só deputado.
Restaria o ex-prefeito Fernando Pimentel, seguramente uma liderança forte no PT. Pimentel participaria do comando da campanha da ministra Dilma, reservando-se a ele a indicação para um ministério, no caso de vitória da candidata de Lula. Com esse esquema, imagina-se que todo o espectro partidário que apoia o Governo estaria contemplado na composição da chapa majoritária para o Senado e o Palácio da Liberdade. Pelo que se sabe, Lula ainda não bateu o martelo sobre essa combinação de forças, mas não a está descartando, sob a convicção de que, divididos, PT e PMDB poderão perder, levando junto a candidatura de Dilma Rousseff.

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