Como era esperado, a repercussão em torno da declaração de Dilma Rousseff, tomou conta dos principais veículos no dia de hoje. A grande maioria, criticou a postura e a ausência de traquejo político da candidata de Lula. Reações das mais diversas tomaram conta dos jornais.
Todo mundo sabe, ou já ouviu falar, do temperamento da candidata petista, desde os tempos de secretária de Minas e Energia no Rio Grande do Sul. Então não seria novidade que, mais hora menos hora, ela iria escorregar de alguma forma.
O problema é que ela escolheu a hora e o estado errado para o tropeço.
É publico e notório, até mesmo para um marciano que aterrise na nossa querida Minas Gerais, que para o projeto de Lula dar certo, a participação do PMDB é fundamental, e que o PMDB mineiro será o fiel da balança, pelo grande número de delegados que o partido abriga no estado.
Por isso, um pouco de bom senso político e cuidado no trato com os aliados, seria muito bem vindo no momento. (Só para lembrar, a ex-ministra já havia colocado o PMDB em saia justa similar no Rio de Janeiro, afagando o ex-governador Antony Garotinho.)
Se Lula quer a formação de um palanque forte em nosso estado, declarações ou mesmo chistes como este precisam ser melhores avaliados para não se deixar morrer pela boca.
O desconforto gerado foi tão grande, não só no PMDB, como no próprio berço petista, que só hoje os aliados ligados ao pré-candidatos Patrus e Pimentel, se posicionaram sobre o assunto.
Do lado tucano, o único beneficiado na história, Antonio Anastasia, declinou da sugestão indigesta.
É o treino para o grande jogo que está começando...
Entre as diversas matérias que tratam o assunto hoje, escolhi o artigo de Carla Kreeft do Jornal O Tempo, pois retrata de uma maneira muito racional a estratégia equivocada da pré-candidata petista.
Estratégia de risco
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A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, começa a fazer um jogo arriscado que pode dar muito certo ou também muito errado. O primeiro risco a ex-ministra assume quando decide vir a Minas Gerais para fazer campanha eleitoral aberta fora do período permitido pela legislação. Não é possível pensar que uma cidadã que não tenha nenhuma pretensão eleitoral e não esteja exercendo nenhum cargo no Executivo tenha algum motivo para se reunir com dezenas de prefeitos, empresários e estudantes. A negação do fato de a viagem a Minas ser um ato de campanha chega a ser ofensiva - é um total desrespeito à capacidade de entendimento do eleitor mineiro e brasileiro. Nesse caso, há sempre o risco de uma medida mais rigorosa da Justiça, mas também existe a possibilidade de nada acontecer, e Dilma Rousseff conseguir adiantar a sua campanha em relação ao adversário tucano, o ex-governador de São Paulo José Serra.
Uma outra movimentação perigosa é adotar posturas dúbias - acender uma vela para cada lado do campo de jogo. É difícil para o eleitor entender - e mais difícil ainda é para os aliados aceitarem. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, um peemedebista e aliado de primeiro hora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, certamente não gostou de ver a troca de afagos entre a ex-ministra petista e o ex-governador Anthony Garotinho. Assim com o também peemedebista, o ex-ministro Hélio Costa, também não deve ter gostado de ouvir a sua pré-candidata à Presidência dizer que o Dilmasia - movimento em favor da eleição de Dilma para presidente e da reeleição do governador de Minas, Antonio Anastasia - pode ocorrer e que o eleitor tem direito de fazer sua própria aliança. Realmente, a ministra cede espaços para reclamações peemedebistas e aí corre o risco de ver uma aliança nacional ameaçada. É bom lembrar que a força do PMDB está na sua capilaridade - sem o apoio das instâncias estaduais e, principalmente, municipais, o partido vira uma tribo de caciques sem índio e não será capaz de reforçar campanha nenhuma.
Mas quem não deve ter gostado nada da admissão do Dilmasia pela ex-ministra são pré-candidatos do PT ao governo de Minas, o ex-ministro Patrus Ananias e o ex-prefeito Fernando Pimentel. Patrus não aderiu ao chamado Lulécio (voto casado em Lula e Aécio Neves em 2006) e se posicionou contra a aliança entre o PT e o PSDB para a disputa da Prefeitura de Belo Horizonte, em 2008. Já Pimentel, que foi o pai da polêmica aliança, consegue se relacionar muito bem com Aécio, mas certamente espera que o herdeiro do Lulécio seja ele e não, Anastasia. O ex-prefeito esperava um Dilmentel e não um Dilmasia ou um Anastadilma, como a própria ex-ministra sugeriu.
Uma outra movimentação perigosa é adotar posturas dúbias - acender uma vela para cada lado do campo de jogo. É difícil para o eleitor entender - e mais difícil ainda é para os aliados aceitarem. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, um peemedebista e aliado de primeiro hora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, certamente não gostou de ver a troca de afagos entre a ex-ministra petista e o ex-governador Anthony Garotinho. Assim com o também peemedebista, o ex-ministro Hélio Costa, também não deve ter gostado de ouvir a sua pré-candidata à Presidência dizer que o Dilmasia - movimento em favor da eleição de Dilma para presidente e da reeleição do governador de Minas, Antonio Anastasia - pode ocorrer e que o eleitor tem direito de fazer sua própria aliança. Realmente, a ministra cede espaços para reclamações peemedebistas e aí corre o risco de ver uma aliança nacional ameaçada. É bom lembrar que a força do PMDB está na sua capilaridade - sem o apoio das instâncias estaduais e, principalmente, municipais, o partido vira uma tribo de caciques sem índio e não será capaz de reforçar campanha nenhuma.
Mas quem não deve ter gostado nada da admissão do Dilmasia pela ex-ministra são pré-candidatos do PT ao governo de Minas, o ex-ministro Patrus Ananias e o ex-prefeito Fernando Pimentel. Patrus não aderiu ao chamado Lulécio (voto casado em Lula e Aécio Neves em 2006) e se posicionou contra a aliança entre o PT e o PSDB para a disputa da Prefeitura de Belo Horizonte, em 2008. Já Pimentel, que foi o pai da polêmica aliança, consegue se relacionar muito bem com Aécio, mas certamente espera que o herdeiro do Lulécio seja ele e não, Anastasia. O ex-prefeito esperava um Dilmentel e não um Dilmasia ou um Anastadilma, como a própria ex-ministra sugeriu.

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