Depois de fazer jogo duro, o ex-prefeito Fernando Pimentel amacia o discurso e afirma que o PT em Minas pode abrir mão da cabeça de chapa à favor do PMDB na corrida pelo Palácio da Liberdade.
Confira a entrevista no O Tempo de hoje.
Aceno para pacto com PMDB
Fernando Pimentel ex-prefeito de BH e pré-candidato do PT ao governo de Minas
Ezequiel Fagundes
Menos radical, mas ainda disposto a costurar acordo para ser o candidato do PT ao Palácio da Liberdade sem a realização de prévias, Pimentel nega mal-estar com Patrus e se reaproxima de Hélio Costa. Para ele, pesquisas e articulações vão indicar o melhor nome.
O senhor concorda em disputar prévias com o ministro Patrus Ananias?
FP - Não temo a disputa. Mas, politicamente para o PT, para o projeto da candidatura presidencial da ministra Dilma Rousseff e a continuidade do governo Lula, a prévia deve ser evitada. Todas as lideranças nacionais do PT concordam com isso.
Até o presidente Lula é contra a prévia?
FP - Inclusive o presidente. Ele disse para mim e para outras lideranças do partido. Ninguém quer prévia em Minas e algum motivo eles devem ter. Ganhar ou perder a prévia não importa, o que vale é a construção de uma chapa forte para vencer as eleições em Minas.
Aliados do ministro Patrus estariam tentando convencê-lo a desistir para apoiar a sua candidatura. O senhor acredita que ele pode ceder?
FP - Acredito que seja possível. Mas desistir ou não de uma candidatura é uma decisão de foro íntimo. Deveríamos trabalhar com a ideia do convencimento político de qual é o melhor desenho para a chapa do PT em Minas em 2010. Defendo que haja coligação com o PMDB. Acho que o ministro pode fazer parte desse acordo. Ele é uma pessoa partidária, nós temos relações pessoais fraternas, então podemos chegar a esse entendimento.
Recentemente, o ministro Patrus disse que o senhor está numa situação delicada e que sua candidatura é de tapetão. O clima esquentou entre vocês dois?
FP - Acho que essa declaração refletia um clima anterior. Ele fez uma análise um pouco equivocada e exagerada. Isso não altera a disposição de tentar achar um caminho que evite a prévia.
É verdade que o senhor e o ministro Hélio Costa (PMDB) voltaram a se reunir para discutir a coligação? É uma aproximação?
FP - Há um mal entendido. Nunca fui contra uma coligação com o PMDB. Acho que é fundamental essa coligação porque teremos a oportunidade de ganhar as eleições. O que talvez tenha sido mal entendido é que nós defendemos a candidatura própria dentro do PT, sem descartar a aliança com o PMDB.
Mas isso é uma contradição.
FP - Não tem contradição nenhuma. O ministro Hélio Costa disse recentemente que aceitaria a ideia de um conjunto de pesquisas para escolher o nome do candidato. Não há nenhuma contradição em o PT querer ter candidato próprio e querer sentar com o PMDB para construir um palanque único, ainda que esse palanque único, mais na frente, possa ter um peemedebista na cabeça de chapa.
Então essa aproximação do senhor com o ministro Hélio Costa está ocorrendo de fato?
FP - É claro. Da minha parte, nunca houve afastamento. Considero o ministro Hélio Costa um homem público qualificado, um amigo estimado. Estivemos juntos em várias ocasiões, mas tivemos um breve intervalo em 2008, quando ele ficou ao lado do seu candidato e nós fechamos uma aliança com o PSB, mas isso já passou.
Encontrar um nome viável para ser vice da ministra Dilma está mais difícil do que o senhor imaginava?
FP - Não vejo essa dificuldade. O que tem que ser definido é a coligação nacional com PMDB. O natural é que o vice seja indicado pelo PMDB.
O nome do ministro Hélio Costa está mesmo sendo cotado para ocupar essa vaga?
FP - Neste momento, sim. Pelo menos uma parte do PMDB está discutindo isso. Mas nós não podemos indicar nomes do outro partido.
Se ele for mesmo indicado, o impasse em Minas fica resolvido?
FP - A equação de Minas Gerais fica mais definida porque o PMDB, até onde eu entendo, não tem outro candidato a governador do Estado. Nesse caso, seria natural que a coligação mineira fosse comandada pelo PT. Essa decisão, no entanto, não será tomada levando em conta somente o quadro de Minas Gerais, mas de todo o país.
Então o deputado federal Michel Temer (PMDB) está descartado como possível vice da Dilma?
FP- Não. Eu volto a dizer que é o PMDB que vai indicar o nome. O deputado Temer continua sendo cotado.
A ministra Dilma pode mesmo ter dois palanques em Minas por causa do impasse entre PT e PMDB?
FP -Vamos trabalhar ao máximo para evitar isso, não que seja totalmente ruim. Tudo indica, por exemplo, que, no Rio, nós teremos o apoio do ex-governador Anthony Garotinho (PR) e do governador Sérgio Cabral (PMDB). A questão de ter ou não dois palanques enfraquece regionalmente. A união do PT e do PMDB em Minas forma uma força poderosa numa eleição de governador. Equilibra a disputa com um adversário respeitabilíssimo, o vice-governador Anastasia, que terá o apoio do governador Aécio Neves. Nós não temos a ilusão de que iremos vencer um adversário tão qualificado separados.
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