A disputa, pela indicação do nome da base aliada de Lula, segue quente. Bastidores dão conta que, petistas inconformados com a possibilidade de Hélio Costa ser o escolhido, tentam a qualquer custo esticar a corda. Este comportamente teria desagrado tanto o presidente Lula como sua candidata Dilma Rousseff, pois colocaria em risco a posição de sua ungida em nosso estado, abrindo caminho para a campanha de Serra.
O acordo com o PMDB, reza que, realizadas pesquisas quantitativas e qualitativas, ambos pre-candidatos se encontrariam e analisariam os dados, para a partir daí definirem a chapa.
O problema é que aliados do ex-prefeito Fernando Pimentel, tentam mudar o rumo da prosa e da proposta, rompendo o acordo de Lula e incluindo outros critérios para a escolha do candidato da base.
Os próximos dias prometem. Acompanhe artigo de hoje na Coluna de Carlos Lindenberg
Carlos Lindenberg
Cresce a tensão na disputa PT-PMDB
Estão cada vez mais tensas as relações entre PT e PMDB nessa quase antevéspera da revelação das pesquisas eleitorais sobre os pretendentes ao governo do Estado, Fernando Pimentel e Hélio Costa. Nenhum dos dois lados esconde a disposição para a briga que interessa menos ao senador Hélio Costa do que ao ex-prefeito Pimentel. De longe, ele que esteve há poucos dias no olho do furacão, o ex-ministro Patrus Ananias assiste à briga.
Nessa contenda, cada um usa as armas que tem. A Internet, no entanto, quando não as colunas de notas dos jornais, é a arma comum aos dois lados. O twitter é um torpedo sempre pronto para o disparo que, na verdade, produz mais espuma do que vítimas. Mas está lá, sempre pronto para o tiro.
A grande arma do senador Hélio Costa é o peso político do seu partido. O PMDB fecha o cerco contra o PT nacional para que os dois partidos façam a aliança em Minas - assim como no Maranhão - argumentando que poderá votar contra a formação da chapa Dilma-Temer. Os mineiros têm 69 dos 804 votos da convenção nacional do PMDB. Pode não ser muito, mas, se somados com os insatisfeitos da Bahia, de Pernambuco, de São Paulo e do Paraná, para não falar do emblemático Maranhão, os votos de Minas poderão selar o rompimento dos dois partidos, com prejuízos óbvios para a candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff.
Hélio Costa tem ainda, em sua defesa, a boa dianteira que ostenta nas pesquisas quantitativas. Desde que se vem falando em disputa eleitoral em Minas Hélio Costa está na frente. Isso é indiscutível, ainda que se argumente que o senador foi candidato duas vezes ao Governo de Minas, que sua condição de ministro o expôs à mídia, enfim, há vários argumentos que podem ser usados para explicar essa posição, mas ninguém pode negá-la. E isso é um ponto forte na defesa da candidatura de Hélio Costa.
O PT, por seu lado, não tem menos argumentos para defender a candidatura do ex-prefeito Pimentel. A primeira delas, sempre que um petista levanta o assunto, é a questão da pesquisa. Para o PT, a pesquisa quantitativa não vale, o que vale é a qualitativa, e ela, segundo os petistas, seria favorável a Pimentel. Na mesma linha, o PT tenta jogar a responsabilidade da aliança em Minas numa possível pressão do diretório nacional do partido, por conta, claro, do interesse na coligação entre as duas legendas em torno de Dilma. Por último, o PT mineiro resolveu jogar pesado: ameaça não fazer a coligação para a eleição de deputados se o PMDB ficar com a cabeça de chapa, isto é, se o diretório nacional forçar a aliança com Hélio Costa na cabeça. Com isso, o PT pretende implodir o PMDB jogando as bancadas contra o acordo, no que parece ser o temor de que, realmente, o presidente Lula quer Hélio Costa como cabeça de chapa. Só isso explicaria o uso de artefato com tanto poder de destruição. Mas, ainda assim, salvo algumas baixas, a defesa de Hélio Costa resiste.
O senador, por vezes, parece querer contra-atacar com igual virulência, mas é contido pelos aliados, numa tarefa difícil, porque ele é de briga. Para instigá-lo, de vez em quando alguém atribui a Hélio Costa uma frase ou outra não dita, ainda que pensada. É como balançar um pano vermelho à frente de um miúra - o senador quer investir e é um pandemônio para segurá-lo. Nem sempre conseguem e, aí, a temperatura aumenta, porque os adversários querem é isso mesmo...e haja pano vermelho.
De forma que é este o clima entre petistas e peemedebistas mineiros há menos de uma semana do prazo para que as pesquisas, encomendas pelos dois lados, sejam reveladas. O prazo é o dia 6 de junho, o próximo domingo. O que não significa dizer que, nesse dia, poderá reinar a paz entre os dois partidos. Pelo clima e pela disposição dos dois lados, tudo indica que a data será apenas mais uma no calendário da disputa que travam PT e PMDB pelo direito de lançar candidatos ao Governo do Estado. Não houvesse a coligação nacional em favor de Dilma Rousseff se poderia dizer, desde já, que tanto o PT como o PMDB teriam candidatos. De olho no tempo de televisão do PMDB, Lula quer a coligação em Minas. Mas encontra, como se vê, forte resistência do partido. A tensão e o clima de disputa, com a ameaça do PT de não fazer a coligação para deputados, dão um final incerto para o embate, embora ninguém acredite que Lula não intervenha aqui. O que, também, não é bom para Hélio Costa. Na política, quanto mais natural, melhor.

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