A repercussão do encontro do governador Aécio Neves com Ciro Gomes, está dando pano pra manga dentro do PSDB paulista. O gesto atingiu em cheio a canela do governador de São Paulo José Serra, que ao contrário de Aécio Neves, não morre de amores por Ciro Gomes desde a época que ambos eram do PSDB.
Com a divulgação da pesquisa espontânea do Instituto Vox Populi, que dá a liderança ao Governador de Minas com 11% das intenções de voto, o cerco se fecha em torno de José Serra para que ele defina seu futuro político ainda este ano, como aconselha Aécio Neves. A pesquisa apesar de mostrar um alto número de eleitores indecisos, dá uma prévia do que poderia ser o futuro do PSDB com Aécio na cabeça.
À favor da estratégia de Aécio Neves, diretórios estaduais do PSDB já começaram a pressionar a direção nacional para a antecipação do candidato. A explicação dos tucanos é a preocupação com a campanha governista, que já está nas ruas.
À favor da estratégia de Aécio Neves, diretórios estaduais do PSDB já começaram a pressionar a direção nacional para a antecipação do candidato. A explicação dos tucanos é a preocupação com a campanha governista, que já está nas ruas.
Carlos Lindenberg
Ficaram com medo do rastro... e ainda nem viram a onça
ADRIANO SOUTO*
Foi desproporcional, para dizer o mínimo, a reação dos tucanos ligados ao governador José Serra às declarações, terça-feira, aqui em Belo Horizonte, do deputado Ciro Gomes, em favor da pré-candidatura do governador Aécio Neves. Não foi a primeira vez que Ciro Gomes se declarou fã incondicional do governador mineiro, que ele acha capaz de, ao chegar à Presidência da República, encerrar o "provincianismo" da disputa entre o PT e o PSDB de São Paulo. "O Aécio pode convocar todos os brasileiros decentes de todos os partidos, que é como ele faz em Minas, e celebrar um projeto de país que dê avanço ao que o presidente Lula representou", acrescentou.
Em julho, Ciro Gomes já havia declarado que não se sentia obrigado a disputar o Palácio do Planalto se Aécio vencesse a briga interna com Serra. Porém, naquela época os serristas nem deram bola. De lá para cá, tanto a candidatura de Ciro Gomes quanto a de Aécio Neves ganharam musculatura nas pesquisas, o que acendeu o sinal amarelo no Palácio dos Bandeirantes.
No último final de semana, por exemplo, a revista "IstoÉ" divulgou pesquisa espontânea Vox Populi, na qual Lula aparece em primeiro lugar nas intenções de votos com 13%, seguido de Aécio (11%), Serra (10%), Dilma Rousseff (6%), Ciro (3%), Marina Silva (2%) e Heloisa Helena (1%). Outros candidatos somaram 1%, e os indecisos, 53%. Foi a primeira vez que Aécio apareceu liderando uma pesquisa, já que Lula não é candidato em 2010.
Neste novo cenário, as declarações de Ciro em Belo Horizonte soaram de forma diferente no eixo Rio-São Paulo, amplificadas que foram pela Imprensa nacional, nem sempre de bom humor quando um mineiro está em evidência. Do Rio, alguns analistas ousaram a afirmar que Aécio é desagregador. Outros, que Ciro estaria a serviço de Lula e do PT. E que, em consequência, estaria prestando um favor a Dilma quando diz que desistiria da sua candidatura caso o PSDB escolhesse Aécio para disputar a sucessão de Lula.
Ficaram com medo do rastro... e ainda nem viram a onça.
Desde Juscelino Kubitschek, que deixou o Palácio do Planalto já lançando a candidatura JK-65, que os mineiros têm sido vistos apenas como bons nomes para vice-presidente, não para presidente, como nos casos de José Maria Alkmim, Pedro Aleixo, Aureliano Chaves, Itamar Franco e José Alencar.
De modo que quando surge um nome como Aécio, que agrega forças, tem serviço prestado e gestão comprovada, além de uma candidatura viável e cada vez mais consolidada, é um Deus nos acuda no ninho tucano.
Ontem mesmo, Serra evitou comentar as declarações de Ciro Gomes e recorreu à armadura do candidato "paz e amor". Acossado pela Imprensa, Serra não escondeu o incômodo - "não vou responder, mas pode perguntar". O governador paulista encerrou a entrevista quando indagado sobre o fato de Aécio dizer que gostaria de estar ao lado de Ciro, tido como inimigo do governador paulista. "O Aécio tem o direito de ver as pessoas que quiser. A mim não cabe comentar."
Ao mesmo tempo, a cúpula tucana acionou o DEM, dividido entre Aécio e Serra, para que o aliado de todas as horas unificasse seu discurso. O DEM do Rio é o que mais bate em Serra. Cesar Maia, o pai, que está no limbo, sem espaço para as próximas eleições, disse outro dia que Serra age como "os piores caudilhos". Seu filho, Rodrigo, presidente nacional do DEM, engrossa a fileira e também faz juras de amor a Aécio Neves. Gabeira, do PV, é outro habitué do Palácio das Mangabeiras. A disputa começa a esquentar.
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Em julho, Ciro Gomes já havia declarado que não se sentia obrigado a disputar o Palácio do Planalto se Aécio vencesse a briga interna com Serra. Porém, naquela época os serristas nem deram bola. De lá para cá, tanto a candidatura de Ciro Gomes quanto a de Aécio Neves ganharam musculatura nas pesquisas, o que acendeu o sinal amarelo no Palácio dos Bandeirantes.
No último final de semana, por exemplo, a revista "IstoÉ" divulgou pesquisa espontânea Vox Populi, na qual Lula aparece em primeiro lugar nas intenções de votos com 13%, seguido de Aécio (11%), Serra (10%), Dilma Rousseff (6%), Ciro (3%), Marina Silva (2%) e Heloisa Helena (1%). Outros candidatos somaram 1%, e os indecisos, 53%. Foi a primeira vez que Aécio apareceu liderando uma pesquisa, já que Lula não é candidato em 2010.
Neste novo cenário, as declarações de Ciro em Belo Horizonte soaram de forma diferente no eixo Rio-São Paulo, amplificadas que foram pela Imprensa nacional, nem sempre de bom humor quando um mineiro está em evidência. Do Rio, alguns analistas ousaram a afirmar que Aécio é desagregador. Outros, que Ciro estaria a serviço de Lula e do PT. E que, em consequência, estaria prestando um favor a Dilma quando diz que desistiria da sua candidatura caso o PSDB escolhesse Aécio para disputar a sucessão de Lula.
Ficaram com medo do rastro... e ainda nem viram a onça.
Desde Juscelino Kubitschek, que deixou o Palácio do Planalto já lançando a candidatura JK-65, que os mineiros têm sido vistos apenas como bons nomes para vice-presidente, não para presidente, como nos casos de José Maria Alkmim, Pedro Aleixo, Aureliano Chaves, Itamar Franco e José Alencar.
De modo que quando surge um nome como Aécio, que agrega forças, tem serviço prestado e gestão comprovada, além de uma candidatura viável e cada vez mais consolidada, é um Deus nos acuda no ninho tucano.
Ontem mesmo, Serra evitou comentar as declarações de Ciro Gomes e recorreu à armadura do candidato "paz e amor". Acossado pela Imprensa, Serra não escondeu o incômodo - "não vou responder, mas pode perguntar". O governador paulista encerrou a entrevista quando indagado sobre o fato de Aécio dizer que gostaria de estar ao lado de Ciro, tido como inimigo do governador paulista. "O Aécio tem o direito de ver as pessoas que quiser. A mim não cabe comentar."
Ao mesmo tempo, a cúpula tucana acionou o DEM, dividido entre Aécio e Serra, para que o aliado de todas as horas unificasse seu discurso. O DEM do Rio é o que mais bate em Serra. Cesar Maia, o pai, que está no limbo, sem espaço para as próximas eleições, disse outro dia que Serra age como "os piores caudilhos". Seu filho, Rodrigo, presidente nacional do DEM, engrossa a fileira e também faz juras de amor a Aécio Neves. Gabeira, do PV, é outro habitué do Palácio das Mangabeiras. A disputa começa a esquentar.

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