Matéria do Jornal O Tempo de hoje, indica possibilidade de dois palanques para a candidata de Lula em nosso estado.
Porém, o que pode parecer a solução ideal para o impasse em ambos partidos pode acabar sendo um tiro no pé na candidatura da Ministra Dilma.
Leia na íntegra.
Minas. Principais partidos da base de Lula já admitem, nos bastidores, montar dois palanques no Estado
Para o presidente reeleito do PT mineiro, deputado federal Reginaldo Lopes, a mobilização dos militantes durante as eleições para o diretório estadual provou que há o desejo interno de ter candidato próprio. E o dirigente afirma que não há mais como reverter esse processo. "Na minha gestão, a candidatura do PT ao governo é caminho sem volta", disse.
O PMDB também entra em 2010 com pouca disposição de recuar da pré-candidatura do ministro das Comunicações, Hélio Costa, que lidera as pesquisas de intenção de voto. E, após a eleição para o diretório estadual, a nova direção será pressionada para confirmar o nome do ministro. Quem afirma é o candidato derrotado à presidência do PMDB de Minas, deputado estadual Adalclever Lopes. Segundo ele, seu oponente, o deputado federal Antônio Andrade, foi eleito embalado pela tese da candidatura própria de Costa e que, agora, não terá como recuar.
"Acredito que o PMDB tenha candidatura própria. E o melhor nome é o do ministro Hélio Costa. Se ele não for candidato, será um golpe para o partido", disse.
Alianças. Com a possibilidade cada vez mais forte de estarem em lados opostos, mesmo integrando um só campo ideológico nacional, a tendência é que PT e PMDB disputem o apoio dos mesmos partidos para a sucessão estadual. O primeiro da lista é o PCdoB. Os comunistas estiveram ao lado do PMDB no segundo turno das eleições municipais de Belo Horizonte, quando a deputada federal Jô Moraes (PCdoB) apoiou o seu colega de Câmara, Leonardo Quintão (PMDB).
Mas o PT quer recuperar o seu tradicional aliado em Minas. E tentará isso em breve. Reginaldo Lopes já tem um almoço marcado para 12 de janeiro com a direção do PCdoB. O prato principal será a aliança em 2010.
Peemedebistas mantêm foco na reeleição de Michel Temer|
Brasília. Para fortalecer seu próprio cacife com vistas à sucessão ao Palácio do Planalto, o foco da agenda do PMDB estará no calendário de definições eleitorais. O próximo passo será reeleger o presidente da Câmara, Michel Temer (SP), à presidência do partido, em março, como lance fundamental para garantir a aliança com o PT em torno da pré-candidata Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil.
A manutenção de Temer e de seu grupo no comando da legenda será um trunfo do deputado para se lançar como vice na chapa da petista.
"O que será definitivo em junho será sinalizado em março, com a eleição para a presidência do PMDB", afirma o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), integrante da cúpula partidária e um dos principais articuladores da aliança com o PT. Marcadores: 2010, Antonio Andrade, Dilma, Hélio Costa, Henrique Eduardo alves, Jo Moraes, Leonardo Quintao, Michel Temer, PMDB, PT, reginaldo Lopes
O jornal lembra que ele foi habilidoso o suficiente para manter as políticas macroeconômicas herdadas de seu antecessor, além de implementar programas de transferência de renda.
Segundo o Financial Times, sob o governo Lula o Brasil finalmente começou a demonstrar seu enorme potencial a ponto de o Fundo Monetário Internacional (FMI) esperar que a economia brasileira seja uma das cinco maiores do mundo antes de 2020.
O curioso é que o candidato mais provável é o único que ainda não assumiu a sua candidatura. O vice-governador Antonio Anastasia ainda nega que vá concorrer ao governo em outubro, apesar de o PSDB não esconder que já até planeja as estratégias para fortalecer o nome dele a partir da segunda quinzena de janeiro. Os tucanos vão contar ainda com o governador Aécio Neves como principal cabo eleitoral. Ao que tudo indica, ele deve disputar o Senado com eleição quase certa, segundo até adversários.
A candidatura de Aécio Neves ao Senado tira de vez as chances de o senador Eduardo Azeredo tentar a reeleição em 2010. Está fora dos planos dos tucanos ocupar as duas vagas de candidatos ao Senado.
Sobrariam, assim, uma vaga para disputa ao Senado e outra de vice para compor com aliados. O próprio governador já adiantou que um dos lugares será do DEM, que deve indicar o nome do deputado federal Carlos Melles. A outra pode ser destinada ao presidente da Assembleia de Minas, Alberto Pinto Coelho (PP).
PMDB. O quadro seria ideal para os tucanos se não houvesse ainda a chance de aliança com o PMDB, do ministro Hélio Costa. Embora o partido seja da base aliada de Lula, os peemedebistas estão com relações estremecidas com o PT em Minas, devido a disputa por quem teria o direito de encabeçar a chapa única idealizada no acordo nacional firmado pelas legendas em outubro passado. Além disso, os presidentes estaduais eleitos recentemente, Reginaldo Lopes (PT) e Antônio Andrade (PMDB), defendem a candidatura própria de cada legenda, o que torna ainda mais improvável a aliança das siglas em Minas.
Sem acordo com o PT, o PMDB teria duas opções: ou sai sozinho na disputa ao governo ou se alia com o PSDB. Os tucanos até gostam da ideia e não afastam a possibilidade de um entendimento. Mas eles não podem ir com muita sede ao pote. Uma aliança com o PMDB significaria arranjar algum espaço para Hélio Costa na chapa majoritária, "desalojando" um de seus aliados no Estado.
Outro lado. A situação do lado do PT é também complexa. A vitória apertada de Reginaldo Lopes sobre Gleber Naime para a presidência estadual mostrou que o partido está dividido entre as pré-candidaturas do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, apoiado por Lopes, e do ministro Patrus Ananias, que apoiou Gleber na eleição interna.
Patrus quer a realização de prévias para definir qual será o candidato. Já Pimentel defende que o resultado da eleição para a presidência estadual da legenda seja a referência para a escolha. Nesse caso, o ex-prefeito seria o candidato petista.
A definição das candidaturas ao Senado também depende dessa disputa. Fernando Pimentel já declarou que, caso não seja o candidato ao governo pelo PT, não se interessa em disputar o Senado. Ele vai preferir coordenar a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência. Já o ministro Patrus Ananias não afasta essa possibilidade, embora também afirme que quer disputar o governo.
Cartas na mesa
Nomes dos prováveis candidatos ao governo de Minas e ao Senado em 2010
Governo
Antonio Anastasia (PSDB)
Patrus Ananias ou Fernando Pimentel (PT)
Hélio Costa (PMDB
Vanessa Portugal (PSTU)
Senado
Aécio Neves (PSDB)
José Alencar (PRB)
Patrus Ananias (PT)
Hélio Costa (PMDB)
Carlos Melles (DEM)
Alberto Pinto Coelho (PP)
O projeto é defendido pelos apoiadores do governador Aécio Neves, que desistiu de disputar a Presidência. Itamar Franco seria uma forma de compensar a não-candidatura de Aécio ao Palácio do Planalto.
Muitos tucanos estão preocupados com o impacto da saída do governador de Minas. Eles temem que boa parte dos votos que Aécio teria caso fosse o candidato migre para a candidata do presidente Lula, que assim como o governador de Minas tem grande popularidade no Estado. Itamar seria uma forma de combater essa transferência de votos.
Mas o nome do ex-presidente encontra resistência dentro da ala do PSDB que apoia José Serra. Os tucanos serristas ainda acreditam que vão convencer Aécio a ser vice do governador paulista, em uma chapa puro-sangue do PSDB. (RG)
Candidatura de Alencar pode mudar cenário na base de Lula
Outro nome que pode embaralhar ainda mais o jogo político em Minas é o vice-presidente José Alencar (PRB). Ele está em processo de recuperação de um câncer e, caso esteja em boas condições de saúde, deve se candidatar ao Senado. “Se estiver em boas condições, tenho o dever de me candidatar”, disse Alencar.
Para líderes partidários, se Alencar concorrer, e com Aécio Neves na disputa, as negociações serão mais difíceis, mesmo com cada coligação tendo direito a lançar dois candidatos ao Senado.
Alencar e Aécio são favoritos e concorrer com eles não será nada vantajoso, a não ser para partidos pequenos que buscam projeção. Nesse, quadro os principais partidos aliados de PT, PMDB e PSDB, como PP, PPS, DEM, PPS, PCdoB e PSB, podem ficar mais interessados na vaga de vice ao governo do que a segunda vaga para o Senado. (RG)
O senhor sempre criticou as taxas de juros no Brasil. Hoje elas são menores do que quando o presidente Lula assumiu. O senhor se considera um vitorioso? Elas hoje são menores, mas ainda são muito altas. Eu sempre bati contra isso por várias razões: uma delas é que a rubrica mais pesada do orçamento é a rubrica relativa aos juros com que nós rolamos nossa dívida. Ela é um despropósito. Eu me refiro à taxa básica - a Selic, que hoje está em 8,75%. Ela chegou já a 25%, a 19% e por aí. Nós vamos gastar, nestes oito anos, quase R$ 1,2 trilhão. É uma fábula. Se nós tivéssemos adotado uma taxa nominal, metade da que adotamos, nós teríamos economizado R$ 600 bilhões.
É um instrumento de política monetária errado, não? Claro. O Brasil ainda é um país de subconsumo. Há muitas pessoas, mais de 50% da população, que consomem apenas o essencial. Então você não pode achatar esse consumo. Não tem como achatar. Você não pode achatar o consumo de quem não consome. Então, a taxa é inócua para grande parte da população.
E por que o senhor acha que essas taxas não caem? Elas não caem porque a equipe técnica do Banco Central (BC) não acredita nisto que eu falo. Qualquer coisinha de corrida para compra, ela usa a taxa para inibir.
O senhor não acha que o que existe é uma pressão política para que as taxas não caiam? Veja bem: a equipe do BC é competente, do ponto de vista técnico, mas a decisão, na minha opinião, é política. E o presidente também não está errado. O presidente deve pensar - ele nunca falou isto comigo -, mas ele deve pensar: "O Zé Alencar não é economista, então, eu tenho que ouvir os profissionais. Se eu tenho uma dor de barriga, eu tenho que procurar é um médico e não um leigo. E o Zé Alencar é leigo".
Gostaria de conversar um pouco sobre a sua doença. Todo o país tem acompanhado sua luta. Como o senhor encara esse carinho? Sinceramente, foi construída uma corrente em meu favor que é uma coisa admirável. As orações têm valido muito. Eu estou passando por um momento que é um verdadeiro milagre. Os tumores estão definhando. Eles estão secando, estão morrendo. Os médicos ficam admirados, é uma surpresa. É uma coisa fantástica o que está acontecendo. Eu atribuo também ao trabalho médico, mas atribuo principalmente a uma vontade de Deus que quer me curar. E eu sempre falei: se Deus quiser me levar, ele não precisa de câncer para me levar. Agora, se ele não quiser que eu vá, não há câncer que me leve. Pois bem, é isto que está acontecendo. Nós estamos vencendo o câncer.
E o seu futuro político? O senhor pretende sair para o Senado? Eu posso me candidatar se estiver curado. Se Deus me curar, eu tenho até o dever de me candidatar. Eu preciso retribuir com um trabalho dedicado totalmente à vida pública, eu preciso retribuir este milagre. Porque é um milagre. Agora, se eu não estiver curado, eu não levarei meu nome como candidato porque não seria honesto. Eu só posso levar meu nome se eu estiver seguro de poder exercer o mandato.
Como está o seu tratamento? Eu comecei este tratamento, que eu ainda me submeto e vou continuar em São Paulo, em 1º de setembro. Quando foi dia 21 de outubro, portanto 50 dias depois, foi feito o primeiro exame e os tumores tinham reduzido 30%. Foi uma revolução no hospital. Mais outro período igual, e no dia 7 de dezembro, portanto 46 dias depois daquele primeiro exame, fizemos então novos exames de imagens. E demonstrou nova redução de mais 30% e nenhum nódulo novo. Agora, já tem duas semanas, já que o último exame foi no dia 7 de dezembro, e não vamos fazer exame agora. É muita irradiação. Vamos fazer exame lá pelo fim de janeiro. E pelos exames clínicos os médicos estão admirados. Já não encontram mais o tumor por exame clínico. Então a impressão que eu tenho é que os tumores já estão desaparecidos, se já não desapareceram. O quadro é um quadro de cura. E eu estou muito animado.
O que pensa da retirada da candidatura à Presidência da República do governador Aécio? Por enquanto, não é uma decisão final, peremptória. A política é muito dinâmica. Tudo está muito cedo. Tudo pode acontecer. O que eu posso dizer para você é que Minas é um Estado que precisa voltar a assumir responsabilidades maiores na República. O Brasil está com saudades de Minas e isso você não tenha a menor dúvida. E eu também não tenho dúvida de que haverá Minas disputando as eleições para a Presidência da República em 2010. Agora, é claro que poderá acontecer, e isso é uma decisão do PSDB que eu respeito, mas que não é o meu partido, um acordo que Lula chama dos "dois Tostões". O presidente não acredita na chapa Serra e Aécio.
HÉLIO COSTA DEFENDE GRANDE ALIANÇA PARA VENCER ELEIÇÕES
Comemorando o resultado da pesquisa DataFolha que dá a ele a liderança nas intenções de voto para governador, Costa evitou considerar seu desempenho com uma indicação de que ele, e não um candidato do PT, terá o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado.
"O PMDB não faz imposições, parte do princípio de que vamos ter uma série de pesquisas daqui até março. Vamos chegar às convenções dos partidos, especialmente do PMDB e do PT, em condições de nós podermos pegar o candidato que melhor desempenho tem em várias pesquisas e pedir a ele que seja o candidato de conciliação, o candidato da aliança", afirmou.
A pesquisa mostra Hélio Costa com 31% das intenções de voto, contra 19% de Fernando Pimentel e 10% do vice-governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB). No cenário em que o candidato petista é Patrus Ananias, Costa tem 32%, Patrus 12% e Anastasia 10%.
"Eu continuo insistindo que nós devemos fazer uma grande aliança. Minas Gerais é um Estado muito grande", disse. "Eu já passei por isso antes. Concorrer contra o governo, contra estruturas poderosas é muito difícil, então a gente precisa ter consciência de que a união de forças é que vence eleição. Vamos continuar trabalhando, independente de quem está na frente nas pesquisas, por uma grande união", acrescentou.
PESQUISA DATAFOLHA: HÉLIO COSTA SEGUE NA LIDERANÇA
Em mais uma rodada do DataFolha, publicada hoje no jornal Folha de SP, o Ministro das Comunicações Hélio Costa continua liderando e aparece na dianteira em todos os cenários pesquisados.
O Ministro das Comunicações de Lula mantém a frente, tanto quando a disputa é entre os petistas Patrus ou Pimentel, como entre o vice-governador Antonio Anastasia.
No primeiro quadro Hélio Costa venceria a eleição com 31% dos votos contra 19% de Pimentel e 10% de Anastasia, quando o candidato petista é Patrus, Hélio Costa mantém a liderança com 32% dos votos contra 12% de Patrus Ananias.
Em outro cenário, sem a presença dos petistas na corrida e contra o candidato de Aécio Neves, Costa ganha com 37%.
A pesquisa foi realizada no mês de dezembro e ouviu 1075 moradores de MG.
Leia matéria da Folha na íntegra.
HÉLIO COSTA É O PRIMEIRO EM MG
Ministro das Comunicações vai de 31% a 37%; petistas disputam candidatura
FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REPORTAGEM LOCAL
O ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), lidera todos os cenários em que seu nome aparece na pesquisa Datafolha para a sucessão do governo de Minas Gerais.
As intenções de voto de Costa variam de 31% a 37%, este último resultado atingido no cenário em que não há nenhum petista disputando o governo. Nesse caso, o atual vice-governador e candidato do tucano Aécio Neves, Antonio Anastasia (PSDB), fica com 13%. A taxa dos que não souberam dizer o seu candidato ficou em 26%.
Costa já liderava todos os cenários na pesquisa anterior, que foi realizada em março. Naquele momento, seu desempenho ia de 37% a 43%.
A pesquisa Datafolha publicada hoje foi feita entre 14 e 18 de deste mês e ouviu 1.075 moradores de Minas. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais e para menos
Nos casos em que há petistas na disputa, Hélio Costa também lidera. No primeiro caso, ele fica com 31% contra 19% do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) e 10% de Anastasia. Nesse cenário, a taxa dos que ainda não sabem em quem vão votar ficou em 23% e a de votos nulos e brancos, em 12%. Em março, Costa tinha 37%, contra 24% de Pimentel e 4% de Anastasia.
No cenário em que o candidato petista é o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), Costa tem 32%, Patrus, 12%, Anastasia, 10%, e 24% não sabem em quem irão votar.
Nos cenários pesquisados sem o ministro das Comunicações, Pimentel fica com 28% contra 12% de Anastasia.
Quando o candidato petista o é Patrus, ele tem 19% contra 14% do atual vice-governador, ou seja, eles estão em empate técnico. Aécio Neves diz que sua prioridade hoje é eleger Anastasia. O governador já começou a viajar com seu vice.
Já o PT ainda não decidiu seu candidato em Minas. Recentemente, a disputa pelo comando do partido no Estado rachou os grupos de Patrus e Pimentel, que acabou vencedor.
Nos cenários em que Hélio Costa é descartado como candidato ao governo, as taxas de votos brancos, nulos e dos que não sabem dizer em quem pretendem votar atinge 53%.
Eleitorado
A maior parte do eleitorado mineiro ainda está distante da sucessão estadual: 73% não souberam dizer espontaneamente em quem vão votar. Nesse tipo de medição não é apresentada uma lista de candidatos e o eleitor declara seu voto a quem quiser.
O nome mais lembrado espontaneamente pelos eleitores de Minas Gerais é o de Aécio Neves (9%), governador há dois mandatos e que não pode concorrer à reeleição.
O segundo colocado na declaração espontânea dos eleitores é Fernando Pimentel, com 3%. Hélio Costa e Anastasia têm 2% e Patrus, 1%.
Matéria da revista Veja deste domingo nos mostra que muita água precisa rolar debaixo da ponte até termos uma melhor clareza do quadro que encontraremos em 2010.
Do lado do PSDB parece que o candidato será mesmo José Serra, mas com a vice indefinida. O sonho do governador paulista é ter Aécio Neves na chapa, mas este já deixou claro que não topa a indicação e o risco.
Do lado do PT, Dilma consolida sua posição e certamente enfrentará Serra em um segundo turno, só resta saber quem será seu vice. Uma coisa é certa o cargo será do PMDB e basta agora definir o nome. Temer, Geddel Vieira Lima, Hélio Costa, Henrique Meirelles? São personalidades de expressão dentro e fora do partido que poderão vitaminar a chapa da escolhida de Lula.
Porém, a tendência é que os ministros Geddel Vieira e Hélio Costa disputem as eleições em seus estados, ficando a indicação entre Temer e Henrique Meirelles.
Na Bahia Geddel enfrentará, contra a vontade de Lula, Jacques Wagner atual governador e candidato a reeleição.
Em Minas, a situação é um pouco complicada. O presidente Lula já deixou claro sua preferência pelo Ministro do PMDB Hélio Costa, mas uma ala do PT ligada ao ex-prefeito Fernando Pimentel insiste em candidatura própria, o que poderá fazer PT e PMDB em Minas marcharem separados no primeiro turno.
No fechamento de 2009 muita coisa ainda pode acontecer vamos acompanhando.
Bom domingo a todos.
Leia matéria da Veja na íntegra.
A hora de Serra
O governador de Minas, Aécio Neves, abre caminho para que
seu colega paulista seja o candidato do PSDB à Presidência
em 2010. Mas o mineiro ainda pode aparecer nessa chapa
Fábio Portela
| Pedro Vilela |
| HARMONIA TUCANA O PSDB, de Aécio e Serra, se dividiu na última eleição, mas deverá marchar unido em 2010 |
Faltam dez meses e meio para que os eleitores brasileiros escolham o próximo presidente da República. A base aliada do governo Lula já sabe há algum tempo que irá para a disputa tendo à frente a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. A oposição, no entanto, resistia a definir o seu representante no pleito. Essa dúvida acabou na quinta-feira passada. O candidato que enfrentará Dilma nas urnas será o tucano José Serra, atual governador de São Paulo. O caminho dele ficou livre por uma decisão tomada em Belo Horizonte pelo governador mineiro, Aécio Neves. Muitíssimo bem avaliado em seu estado e festejado por políticos de todo o país, Aécio era o único que ameaçava disputar com Serra a cabeça da chapa presidencial do PSDB, mas decidiu retirar sua pré-candidatura. A partir de agora, todo o campo oposicionista, que além do PSDB abarca o DEM e o PPS, voltará integralmente sua atenção para o Palácio dos Bandeirantes, sede do Executivo paulista. Serra personifica a esperança de alternância de poder no Brasil. É a melhor aposta para romper com a hegemonia alcançada pelo PT na política brasileira durante os últimos sete anos.
| Fotos Eugenio Moraes/Hoje em Dia/AE, Roberto Stuckert Filho/Ag. Globo e Andre Dusek/AE |
| LISTA TRÍPLICE Lula quer que o PMDB, de Hélio Costa, Geddel Vieira Lima e Michel Temer, deixe para o PT a escolha do vice |
Aécio, por seu lado, cresceu em admiração dentro do PSDB. A decisão de abrir espaço para Serra foi muito bem recebida pelos tucanos, que atribuem a divisões internas - entre outras questões - a derrota do partido para o PT em 2006. A movida de peças de Aécio pode significar que o PSDB, enfim, marchará unido. Como Serra se tornou o candidato natural, todos os grupos do partido - além do DEM e do PPS, que também integram a oposição ao governo Lula - deverão trabalhar com afinco por sua candidatura. Dessa vez, afirmam tucanos graúdos, não haverá fissuras.
| Ed Ferreira/AE |
| APAGANDO O FOGO Dilma agora tenta manter o PMDB coeso em torno de seu nome |
Aécio ainda não revelou o que será de seu próprio futuro político. Até agora, a opção mais certa é disputar uma eleição assegurada para uma vaga de senador por Minas Gerais. Talvez seja muito pouco para ele. Dez entre dez tucanos querem que Aécio seja candidato a vice-presidente na chapa de Serra. É o que eles chamam de chapa puro-sangue. Os aliados DEM e PPS também vibram com a ideia, e a razão é simples. Serra governa o estado mais populoso do país, e Aécio, o segundo. Só em São Paulo e em Minas Gerais vivem 33% dos eleitores brasileiros. São quase 44 milhões de votos. Como ambos os governadores têm índices de aprovação muito elevados, imagina-se que uma coligação Serra-Aécio seria arrasadora nesses dois estados, abrindo uma vantagem numérica virtualmente impossível de ser superada pela chapa governista no restante do país. Embora não admitam em público, os tucanos acreditam que, sozinho, Serra tem boas chances de vencer Dilma, mas com Aécio a seu lado a fatura estaria praticamente liquidada.
Aos poucos a candidatura da Ministra Dilma vai se consolidando.
Enquanto o PT comemora o resultado da última pesquisa DataFolha e o PSDB dá sinais de preocupação.
Com Aécio Neves fora da disputa e tendo José Serra como a única alternativa tucana, a estratégia de Lula pode entrar em campo ainda neste fim de ano e a tão temida comparação das gestões PT/PSDB será posta em prática antes do previsto.
Dilma se consolida em 2º e reduz diferença para Serra
Tucano é líder isolado, com 37%, enquanto petista chega a 23% e se descola de Ciro
Sem Ciro, governador de SP tende a vencer no 1º turno; com saída de Heloísa Helena da disputa, a candidata de Lula e Marina crescem mais
FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A pré-candidata do PT a presidente da República, Dilma Rousseff, consolidou-se como segunda colocada, rompeu a barreira dos 20 pontos percentuais em todos os cenários e reduziu para 14 pontos sua diferença em relação ao primeiro colocado isolado na disputa, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Em agosto, a diferença a favor do tucano variava de 19 a 25 pontos.
Esses são os principais resultados da pesquisa Datafolha realizada de 14 a 18 deste mês, com 11.429 entrevistas em todo o país. No cenário no qual quatro candidatos são apresentados como possíveis concorrentes, Serra fica com 37%, Dilma está com 23%, seguida de Ciro Gomes (PSB), com 13%, e de Marina Silva (PV), com 8%. Há 9% dos entrevistados que vão votar em branco ou nulo; 10% dizem estar indecisos.
Com esses quatro candidatos na disputa, haveria segundo turno se a eleição fosse hoje. A soma de Dilma, Ciro e Marina resulta em 44%. Ou seja, mais do que os 37% de Serra. Para ser eleito no primeiro turno, um candidato tem de ter pelo menos 50% mais um dos votos válidos (os dados aos candidatos, excluídos brancos e nulos).
Quando Ciro é retirado do processo, as coisas ficam mais fáceis para Serra. O tucano vai a 40%. Como Dilma pontua 26% e Marina atinge 11% (as duas somam 37%), haveria uma tendência de vitória do tucano na primeira rodada, marcada para 3 de outubro de 2010.
A última pesquisa Datafolha havia sido em agosto. Heloísa Helena (PSOL) aparecia em todos os cenários, mas ela anunciou que ficará fora da disputa para apoiar Marina. Em um dos cenários de então, Heloísa tinha 12%. Serra pontuava 36%, Dilma tinha 17%, Ciro estava com 14% e Marina com 3%.
É errado comparar o levantamento deste mês com o de agosto. Os cenários apresentados ao eleitor são diferentes. Feita a ressalva, é necessário registrar que Dilma melhorou seu desempenho acima da margem de erro em qualquer combinação de candidatos.
Em agosto, a petista pontuava de 16% a 24%, conforme o cenário pesquisado. Agora, seus percentuais vão de 23% a 31%. Serra variava de 36% a 44%. Agora, de 37% a 40%.
Com a saída de Heloísa, quem mais cresceu foram Dilma e Marina (5 pontos), que deve ter seu apoio. Mas não é possível aferir exatamente para quem se deu a transferência dos votos da ex-senadora. Ciro Gomes oscilou um ponto para baixo e Serra, um ponto para cima. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Também deve ser considerado o fato de a pesquisa Datafolha ter sido realizada em seguida a uma bateria de comerciais no rádio e na TV do PSDB e do PT. Os tucanos apresentaram seu programa partidário no dia 3. Os petistas apareceram no dia 10. Os dois partidos também tiveram inserções curtas neste mês.
"A diferença é que o PT apresentou sua candidata, Dilma Rousseff, explicitando o apoio a ela por parte do presidente Lula. Já o PSDB dividiu seu programa entre dois pré-candidatos, José Serra e Aécio Neves", diz Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha.
Na semana passada, depois de ter usado metade das propagandas do PSDB, Aécio Neves anunciou que estava deixando a disputa. Como o Datafolha foi a campo antes do anúncio, o nome do mineiro aparece em dois dos quatro cenários.
Num cenário com Ciro, Aécio fica em terceiro, com 16%. Sem ele, Dilma lidera com 31% e Aécio vem em segundo, com 19%, mas empatado na margem de erro com Marina (16%).
Em agosto, quando o Datafolha indagava aos pesquisados para que respondessem de maneira espontânea _sem ver uma lista de nomes_ em quem desejavam votar em 2010, o presidente Lula liderava com folga: 27%. Serra era citado por 6%. Dilma por apenas 3%.
Agora, houve uma mudança. Mesmo impedido pela Constituição de ser candidato (já disputou uma reeleição e está no segundo mandato), Lula ainda lidera, mas sua taxa é de 20%. Serra tem 8%, exatamente o mesmo percentual de Dilma.
"Esse dado é relevante porque mostra que o eleitor talvez esteja percebendo que Lula não é candidato. E como Dilma mais do que dobrou o seu percentual, saindo de 3% para 8%, talvez muitos já a identifiquem como sendo o nome apoiado por Lula", diz Mauro Paulino.
Quando se observa um corte da pesquisa nos Estados, nota-se que Serra tem seu melhor desempenho no Estado que governa: em São Paulo, tem 47%, contra 18% de Dilma. Já a petista é mais forte na Bahia, onde aparece à frente do tucano, com 34% contra 30%.
Numa análise combinada sobre voto e renda do eleitor, Dilma ainda não consegue replicar a força histórica de Lula entre os mais pobres. No grupo de eleitores que ganham até dois salários mínimos, a petista tem 23% das preferências. Já entre os com renda acima de dez mínimos, é a preferida por 30%. Para Serra, os percentuais são 35% e 38%, respectivamente.
As principais manchetes da imprensa deste domingo ainda repercutem a decisão do governador de Minas de se retirar da disputa pela indicação do PSDB à corrida presidencial.
Apesar do comunicado feito à imprensa na última quinta-feira, há quem ainda duvide - dentro e fora do PSDB - do recuo do governador de Minas, como também há quem diga que, apesar de seus nervos de aço , o governador de São Paulo não deixaria a certeza da reeleição paulista em troca da incerta eleição para o Palácio do Planalto.
Um lance que certamente poderia trazer Aécio Neves de volta ao ringue, mas uma opção deveras arriscada. Todos sabem que o neto de Tancredo é querido e bem aceito em Minas Gerais e Rio de Janeiro, mas os eleitores do resto do Brasil ainda não sabem muito do jovem governador e começar uma pré- campanha em março pode ser pouco tempo para se tornar conhecido, se viabilizar e vencer uma eleição.
A possibilidade de ocupar a vice na chapa tucana também não agrada ao governador mineiro, a sua leitura é simples. Se a dupla não emplacar o maior prejudicado seria ele próprio, perdendo a boa chance de disputar o Planalto em 2014.
Estado de Minas: Aécio diz que não será vice.
O Tempo: Nem sequer cogito ser vice
Hoje em Dia: Aécio poe em jogo seu futuro político
Aécio Neves desistiu de disputar a indicação de seu partido para a sucessão de Lula.
Aécio Neves desistiu. E agora José Serra?
Com a desistência de Aécio, o governador de São Paulo se encontra em situação duplamente complicada. Prevalece a tese de Lula de eleição plebiscitária, e, na condição de único pré-candidato do PSDB as atenções se voltam exclusivamente para ele e para sua (s) gestão (ões), ou seja, antes dividia a vidraça... agora não.
PESQUISA CP2/O TEMPO DÁ LARGA VANTAGEM A HELIO COSTA
No primeiro cenário, Hélio Costa obtém 42,35% das intenções de votos. Em segundo lugar, aparece o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT), com 20,59%. O vice-governador Antonio Augusto Anastasia (PSDB) conta com 12,27% da preferência do eleitorado. Outros 10,42% disseram não saber em quem vão votar ou não responderam. Dos entrevistados, 9,73% afirmaram que não votarão em ninguém, e 3,77% pretendem votar nulo. Somente 0,87% declarou que votarão em branco.
No segundo cenário, no qual o nome de Fernando Pimentel é substituído pelo do ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, como candidato petista, Hélio Costa continua na frente, com 44,55% das intenções de voto. Patrus Ananias fica em segundo lugar, com 14,87% da preferência do eleitorado. Antonio Anastasia acompanha-o de perto, com 13,74%, constituindo um empate técnico. Afirmaram que não sabem em quem votarão ou não responderam 11,83% dos pesquisados. Declararam que não votarão em nenhum candidato 10,56%. Outros 3,72% disseram que pretendem anular o voto.
Na pesquisa DataTempo/CP2, publicada em 2 de junho deste ano, Costa também estava na liderança em três de quatro cenários.
Espontânea. Na pesquisa em que os nomes dos candidatos não são apresentados, os entrevistados revelaram uma maior preferência pelo governador Aécio Neves (PSDB), que não é candidato. Ele obtém 12,42% das intenções de voto. Em segundo lugar, está o vice-governador Antonio Anastasia, com 4,40%. Mas. como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, Anastasia estaria tecnicamente empatado com Fernando Pimentel, que registrou 3,33%. Muito próximo de Pimentel está Hélio Costa, com 2,25% das intenções de voto. Entre os dois, também há um empate técnico, considerando a margem de erro. O ministro Patrus Ananias aparece em seguida, com 1,52% das intenções de voto - situação de empate técnico com Costa.
Embora não sejam candidatos ao governo, foram citados pelos entrevistados o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), o ex-presidente Itamar Franco (PPS) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Também são mencionados o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB) - que não é candidato - e o senador Eduardo Azeredo (PSDB).
Mas quem lidera a espontânea é o número de indecisos, que somado ao total dos que não sabem em que votar ou não responderam, alcança 37,90%. Outros 32,81% disseram não conhecer os candidatos.
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"Apresentei ao partido o apoio de vários companheiros, uma alternativa que poderia ser, eventualmente, mais agregadora do ponto de vista partidário. Mas isso não impede que o governador José Serra, se for ele o candidato, também busque agregar essas outras forças políticas", destacou. "A partir de janeiro, a contribuição que eu poderia dar se torna muito mais difícil. Talvez, dessa forma, eu possa estimular o partido a tomar uma decisão ou caminhar para a opção do governador Serra. Se for ele o candidato, terá todo o meu apoio", completou Aécio.
Antes do encontro com empresários fluminenses, o governador mineiro também já reconhecera, em entrevista à rádio CBN, que a "tendência" é que o candidato tucano ao Palácio do Planalto seja José Serra - se não houver uma decisão da cúpula do partido que indique o contrário. "Eu acho que a tendência, se eu realmente não tiver do partido uma decisão, é que o candidato do PSDB seja o governador José Serra e com todas condições de fazer um grande debate", disse.
Os governadores de Minas e São Paulo divergem sobre a data do anúncio da pré-candidatura tucana. Enquanto Serra quer esperar até março, no limite do prazo para desincompatibilização, Aécio quer que a definição saia logo no início do ano, sob o risco de restar pouco tempo para acertar alianças com outras siglas.
Persistência. Apesar de dar indícios de favoritismo de Serra nas declarações, Aécio demonstrou também que não jogou a toalha e continua trabalhando por uma possível pré-candidatura à Presidência. Ele negou que já tenha tomado a decisão de concorrer ao Senado por Minas em 2010, como foi noticiado durante o fim de semana. "Não há nenhuma decisão tomada. Até porque, se, no mês de janeiro, em uma conversa da direção partidária, o partido optar por me dar condições de construir a candidatura, obviamente, eu serei candidato à Presidência da República", salientou o tucano.
Aliados do governador em Minas também descartaram a possibilidade de a decisão já estar tomada. Segundo eles, Aécio continua a sua agenda de contatos políticos para a construção de uma candidatura à Presidência da República no ano que vem. Nos próximos dias, o tucano deve ter encontro com dirigentes do PDT.
Mineiro recomenda ao PSDB aliança com siglas governistas
O governador Aécio Neves disse ontem que seu partido, o PSDB, deve buscar alianças até com partidos governistas para a eleição presidencial. Segundo ele, o PSDB não deveria coligar-se apenas com partidos da oposição, mas sim deixar "as portas abertas para alianças com outras forças".
"Devíamos estar buscando, em parceiros do governo federal e em aliados do presidente Lula - ou seja, partidos que não apoiarão necessariamente uma candidatura do PT -, um projeto pós-Lula", afirmou o governador de Minas.
De acordo com Aécio, o PSDB deve buscar apoio em partidos como o PSB, o PDT, o PP e até o PMDB. "São forças que não tomaram ainda uma decisão formal", concluiu. (RG)