" Nem preciso dizer como estão os meus nervos. Eles sempre estiveram extremamente serenos neste processo "
Em São Paulo, Serra diz que ninguém o procurou para cobrar uma definição e não comenta ultimato de Aécio: "Esse tititi não leva a nada"
| Fred Chalub - 12.out.09/Folha Imagem |
O jornalista Carlos Lindenberg, do Hoje em Dia, dá um puxão de orelha a setores do PMDB mineiro, em sua coluna de hoje.
Lindenberg faz uma avaliação sobre a disputa interna do partido em Minas, critica a disputa pelo comando do partido travado entre os grupos do Ministro e Senador Hélio Costa, que apoia o Deputado Federal Antônio Andrade e o grupo do ex-governador Newton Cardoso, que apoia o Deputado estadual Aldaclever Lopes, e levanta a questão: A quem interessa o racha do PMDB? Quem se beneficiária com a disputa?
Leia na íntegra.
Carlos Lindenberg
PMDB precisa ter mais calma nessa hora
Parlamentares e lideranças do PMDB deram ontem, desnecessariamente, nova demonstração de incivilidade e atraso na condução dos interesses do partido. Uma pena. Estão tratando o PMDB da capital, mas não só ele, como um partideco dos velhos tempos do inóspito interior de Minas da década de 50. Cenas lamentáveis aconteceram ontem na reunião do diretório, convocada para pôr fim ao mandato da atual direção - como revela matéria do repórter Alex Capella, que a tudo presenciou, aí ao lado. "Bandido", "filhote da ditadura", tapas na mesa, murros... também na mesa, e a presença da PM. Tudo isso foi visto na reunião do maior partido do país e em cujas fileiras poderão estar o futuro vice-presidente da República e até o próximo governador de Minas Gerais.
Um horror. Os mais velhos poderão lembrar das cenas do falecido coronelismo do interior de Minas em época de convenção. Só faltou, ontem, que alguém tirasse o revólver. Mas houve quem partisse na direção de correligionário com o dedo em riste e os olhos em brasa. "Tira a mão daí", "Não encosta em mim", eram palavras ouvidas a toda hora e tudo isso porque o partido, que poderá eleger o próximo governador de Minas Gerais, está brigando por questões menores. Um briga para controlar o diretório do município onde faz política, outro porque tem mágoa da gestão anterior, um terceiro porque tem a vocação genética para a briga política e por aí vai.
O PMDB, na verdade, se ressente de um líder. Alguém que não seja chefe de apenas uma facção, mas que tenha autoridade para pairar sobre os grupos que se digladiam no interior da sigla, e com força moral suficiente para chamar os brigões, os ranzinzas e os espertalhões às falas. É verdade que um e outro brigam por questões maiores, mas uma boa parte pensa e age como aprendizes de coronéis dos pequenos burgos que sobrevivem à aragem de modernidade porque passa o país. Seria necessário que alguém chamasse o PMDB à razão. O PMDB, à exceção do PSDB do governador Aécio Neves, é o único partido que tem um candidato com chances reais de vitória, o ministro das Comunicações, Hélio Costa. Curiosamente, as duas alas em que se divide o partido proclamam que é isso mesmo, que Hélio Costa é o candidato de todos. Pode ser. Mas é preciso que alguém diga a Hélio Costa para acreditar nisso, porque o ministro e futuro candidato sabe que nessa disputa pelo diretório estadual, que começa com os municipais, alguém não está falando a verdade. Porque, se estivesse, óbvio, a briga não estaria nesse nível.
Seria também oportuno perguntar a quem interessa essa divisão do PMDB na antevéspera de uma campanha eleitoral que tem tudo, ou quase tudo, para ser vitoriosa. O partido tem diretórios por todos os cantos, tem vereadores e prefeitos por quase todo o interior, tem deputados estaduais, federais e senadores como nenhum outro, ou seja, o partido tem votos, como se viu nas últimas eleições e, sobretudo, tem candidato. Falta ao PMDB o quê? Faltam clareza e firmeza de propósitos. Clareza para entender que, sozinho, a despeito de tudo, o partido não chega ao Palácio da Liberdade. E firmeza de propósitos para conduzir-se na direção da vitória possível e tangível. É verdade que o PT, com quem o PMDB deve se alinhar no plano federal, também está dividido entre o ministro Patrus Ananias e o ex-prefeito de BH Fernando Pimentel. Ora, é óbvio que uma das razões do racha do PMDB é a disputa interna do PT. A outra são interesses que ainda não vieram a público, de grupos que buscam abrigo na sombra de votos do PMDB e que atuam de fora para dentro nessa hora de disputa.
É hora de as lideranças mais serenas do PMDB, muitas delas olhando essa confusão de fora, entrem em ação, até para lembrar aos mais afoitos o custo que o partido pagou em passado recente por alianças mal costuradas - e não só o partido, como lideranças respeitáveis do PMDB, algumas delas ainda em ação. É sabido que, infelizmente, muitas da atuais lideranças políticas não contribuem para o fortalecimento dos partidos. Outras sequer reconhecem a sua legitimidade e agem aos atropelos calcados nessa crença. O PMDB está sendo vítima, em certa medida, dessa estranha forma de pensar e de agir de alguns. E por causa disso oferece à história política de Minas cenas degradantes como as de ontem.
"Nós temos um projeto para Minas Gerais."
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Como candidato a governador, tenho um projeto para Minas. Estamos chamando nossas lideranças de todas as regiões de Minas a contribuir em um projeto, mostrar deficiências e necessidades de cada região para avaliarmos se o PMDB tem alguma contribuição a fazer com uma candidatura. Ser candidato para ser candidato não é o que queremos.
Qual é a prioridade desse projeto para Minas Gerais?
O PMDB entende que o problema mais sério é o desemprego. Então vamos trabalhar dentro da nossa proposta de governo para que a gente possa criar instrumentos de geração de emprego, em todas as regiões, notadamente naquelas mais distantes do centro econômico de Minas, que é a região metropolitana de Belo Horizonte. Esse é nosso principal objetivo.
Há outras prioridades nesse projeto do PMDB para o governo de Minas?
Estamos vivendo uma era de abuso do solo mineiro. O pré-sal nos alertou para a questão do minério. Se você faz uma comparação, o Rio de Janeiro recebe R$ 6 bilhões por ano com os royalties do petróleo e Minas recebe R$ 100 milhões do minério. Quem vai fazer essa defesa é o PMDB, é uma candidatura a ser colocada pelo PMDB, porque minério não dá duas safras.
O senhor fala em um projeto do PMDB, uma bandeira do partido em Minas. Mas o partido não está divido no Estado?
O PMDB não está dividido em Minas. Se existe uma divergência, é apenas sobre quem será o presidente do partido em Minas, em janeiro. Não existe divergência sobre o projeto do PMDB.
Quando o partido irá decidir se é viável ou não lançar a candidatura?
Ao contrário de outros partidos e outros candidatos, o PMDB não faz exigências com relação à proposta de governar Minas. Nossa candidatura não é irremovível. O PMDB faz uma única exigência, que é a de que ninguém faça exigências. E que o candidato da base aliada se faça de uma grande aliança, que seja escolhido após uma série de pesquisas que possam resultar em uma indicação razoável. A grande questão é a viabilidade eleitoral.
Então o senhor defende um candidato único da base aliada após a definição das candidaturas de cada partido?
Sim, até porque são vários cargos majoritários em disputa no ano que vem. Governador, vice, senadores, deputado federal, estadual. Não é apenas uma eleição para o governo, ainda temos uma grande eleição de presidente da República - q Minas sempre é vista como o Estado que pode definir uma eleição presidencial.
Hoje o PMDB, dentro dessa linha programática, está mais perto do PT ou do PSDB em Minas?
O nosso aliado natural seria o PT. Mas você só pode fazer um casamento quando os dois querem. O PMDB quer e tem manifestado isso. Nossa proposta é apresentar um nome do PMDB que possa ser escolhido entre a base aliada e, daí, sermos o candidato ou apoiarmos o candidato escolhido. Agora, se não há progresso nas conversas com a base aliada, por outro lado, temos uma relação excepcionalmente boa com o governador Aécio Neves, que tem dado inúmeras indicações de que o PMDB é muito bem vindo na base dele.
Há uma tentativa de parte do PT em fechar um acordo com uma ala do PMDB para impedir o lançamento de sua candidatura?
Isso é uma vontade, que não será realizada, de alguns adversários. Em Minas a gente faz política às claras, conversando. A gente não faz política tentando derrotar o adversário por antecipação ou armando ciladas para os adversários. Tem gente fazendo isso sim. Mas não será bem sucedido.
A candidatura do deputado Antônio Andrade à presidência do partido em Minas é uma forma de se aproximar do PSDB em razão das boas relações dele com Aécio Neves?
Não entendo assim. O Antônio Andrade foi escolhido como nosso candidato porque é um deputado federal com prestígio. Ele tem reconhecimento da liderança nacional do PMDB, tem apoio do governo federal, tem uma história de um homem sério, honesto. Agora, sobretudo, é porque ele é uma pessoa confiável.
A derrota de Antônio Andrade para Adalclever Lopes no PMDB-MG atrapalharia sua candidatura?
A derrota está fora de cogitação. Não temos a menor possibilidade de perder a eleição para a presidência do PMDB. A candidatura do PMDB ao governo de Minas depende da vitória de Antônio Andrade. Se ele não for o presidente, a candidatura do PMDB estaria sendo torpedeada.
Quando cogita a aliança com o PT, o senhor cita apenas o ministro Patrus Ananias. O senhor tem algum problema com o ex-prefeito Fernando Pimentel?
Problema nenhum. É que gosto de promover os amigos. As pessoas que eu tenho um relacionamento amistoso, com quem eu gosto de trocar ideias, e o Patrus é uma dessas pessoas.
Duas candidaturas da base do governo Lula ao Palácio da Liberdade poderiam ficar enfraquecidas na disputa e, ainda, ser ruim para a eleição da ministra Dilma Rousseff à Presidência?
Sem dúvida. Ela (Dilma) perderá a eleição em Minas, porque inevitavelmente haverá rompimento. Não adianta dizer que tem dois palanques, isso não existe em lugar nenhum. A gente não tem como servir a dois objetivos em campanhas. Para mim, se PT e PMDB não estiverem juntos, também vai ser muito difícil (vencer o governo estadual). A estrutura do Estado é muito forte.
Com dois candidatos da base, um do PT e outro do PMDB, o candidato do governador Aécio Neves em Minas (o vice Antonio Anastasia) ficaria fortalecido?
Com certeza. É um candidato com todas as qualidades. É uma pessoa de bem, um homem inteligente. Foi importantíssimo no sucesso do governo Aécio. Ele tem pouca imagem eleitoral, mas quando entrar no processo eleitoral, a tendência é subir. A imagem do Aécio é muito forte. Temos de ser realistas.
Boa leitura que o jornalista Leonardo Attuch da Revista Istoé, faz sobre as escolhas do Governador Serra em 2010.
O jornalista mostra quem ganha e quem perde na disputa para a indicação à Presidência da República pelo PSDB, Serra ou Aécio Neves.
Leonardo Attuch
Fica, Serra
O governador tem mais razões para continuar em São Paulo do que para se lançar ao Planalto |
Se o Twitter pudesse responder às suas inquietações, o melhor conselho seria: "Fica, Serra!" Motivo um: caso esteja disposto a partir para uma reeleição tranquila e comandar o Palácio dos Bandeirantes durante oito anos, ele poderá entrar para a história como um dos maiores governadores que São Paulo já teve - e até mesmo o caos do trânsito, um problema crônico da capital paulista, terá sido resolvido, com obras como o Rodoanel e a ampliação das Marginais. Motivo dois: os partidos que se aglutinam em torno do PT podem dar à chapa governista um tempo de televisão duas vezes maior do que o seu. Motivo três (e mais importante): Aécio tem maiores chances de vitória. Numa disputa entre Dilma e Serra, o roteiro já está traçado: seria um embate entre os oito anos de Lula contra os oito anos de FHC. Tendo Aécio como candidato, a polarização não funcionaria - até porque o político mineiro prega a composição entre PSDB e PT.
Ao empurrar a decisão para o ano que vem, Serra tenta recriar uma espécie de política do café com leite, como a que vigorou no Brasil entre 1890 e 1930. Seu sonho é a chapa puro-sangue, tendo Aécio como vice.
Assim, São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do País, montariam no mesmo cavalo. Só que a bebida já entornou, por uma razão óbvia: Aécio nada tem a ganhar com esse arranjo, que o transformaria numa figura secundária da política brasileira. Antes de decidir, Serra deveria pensar até nas coincidências históricas. O último paulista a se eleger presidente da República foi Júlio Prestes. Ganhou as eleições, mas não sentou na cadeira, porque foi impedido pela Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas. E se o lulismo é filho do getulismo, José Serra também é herdeiro de Júlio Prestes. Os mineiros, por sua vez, agiriam da mesma forma como fizeram no passado. Como? Traindo São Paulo, uai. Marcadores: Aécio Neves, Dilma, Lula, Minas Gerais, PSDB, PT, Sao Paulo, Serra
Mais um lance na disputa do PMDB em Minas, veja abaixo a coluna Panorama Político Ilimar Franco Jornal O Globo.
Pimentel faz campanha no PMDB
Aliados do ministro Hélio Costa (Comunicações) reclamam da interferência do petista Fernando Pimentel na eleição do presidente regional do PMDB. Ele estaria apoiando o candidato do ex-governador Newton Cardoso. Pimentel também briga no PT para ser candidato ao governo. Seus adversários são os ministros Luiz Dulci e Patrus Ananias. Determinado, ele diz: “Acho que ajudo o PT e a ministra Dilma sendo candidato ao governo. Se não for, não concorrerei a outro cargo”.
Repercutiu bastante, como era de se esperar, a entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao jornal Folha de S. Paulo, em que ele disse que, para governar, até Jesus teria que se aliar a Judas, se ele tivesse votos. A oposição logo abriu fogo em cima da declaração, também como era de se esperar, mas, no fundo, todos os atores desse embate sempre fizeram o mesmo em busca do poder.
Na política brasileira, desde os tempos de Getúlio Vargas até Fernando Henrique Cardoso, o antecessor de Lula, os acordos e alianças, mesmo espúrios ou inimagináveis do ponto de vista ideológico, sempre marcaram a vida nacional. O balcão de negócios sempre esteve aberto entre o Executivo e o Legislativo. Nisso, o presidente Lula não fugiu da verdade. E aqueles que não agiram assim - curiosamente, dois deles não de grata memória - caíram da poltrona presidencial. Foram Jânio Quadros e Fernando Collor de Mello.
Na década de 80, Tancredo Neves chamou José Sarney para um projeto de Governo. Depois, Fernando Henrique deu as mãos a Antonio Carlos Magalhães. E Lula, recentemente, defendeu ardorosamente o mesmo José Sarney e tem, entre seus aliados, os grandes inimigos ou adversários da época em que o Partido dos Trabalhadores era oposição e ele não media palavras para "espinafrar" esses atuais aliados.
O que difere Lula de FH nesse aspecto é apenas a retórica, dos tucanos, mais elaborada e bem construída do ponto de vista da língua pátria, e de Lula, mais simplista e com metáforas típicas do ex-metalúrgico nascido pobre e que não teve como frequentar a universidade.
Mas ambos, o tucano e o petista, são iguais quando se trata da flexibilização de ideias e discursos em busca de uma governabilidade, que, se não é lá essas coisas do ponto de vista ético, traduz o objetivo de continuar no poder.
Desses dois partidos se esperou alguma mudança na política nacional. Quando FH foi candidato, muita gente imaginou um país diferente, com reforma política, reforma tributária, reforma agrária, entre outras reformas necessárias à sociedade brasileira. Ele se elegeu com apoio da maioria dos eleitores, mas negou fogo nas mudanças prometidas. E se reelegeu numa aliança questionada pelos que se sentiram enganados com o seu discurso inicial, mas de novo teve resultados práticos, única coisa de que realmente não abriu mão para continuar no Palácio do Planalto.
Ao final de seu Governo, FH perdeu esse apoio da maioria e foi a vez do "sapo barbudo" virar o "Lula paz e amor". Lula chegou ao poder com a mesma promessa de mudar a política nacional, no que todos acreditaram, afinal, era um representante realmente popular e tinha tudo para cumprir o seu discurso. Ganhou e, ao contrário de FH, se reelegeu por conta própria, tendo contra si inclusive parte da grande Imprensa nacional. Foi uma vitória inquestionável e uma lição para a elite brasileira, acostumada a mandar no jogo das campanhas eleitorais. Não foi portanto como foi com Collor e como foi com FH. Não satisfez a elite. Mas Lula gostou demais do sabor do poder e logo aderiu ao que ele comparou em sua entrevista com aliança entre Jesus e Judas.
Por mais que seja mesmo assim, um grande jogo de interesses e de forças da política, Lula talvez tenha sido o único, até hoje, que chegou ao poder identificado com a grande massa na planície brasileira. Fez até mesmo uma mudança lá embaixo com suas políticas compensatórias. Todos têm que admitir que ele melhorou a situação das camadas menos favorecidas do país. Mas suas alianças de resultados fazem arrepiar aquele purista que imagina, do discurso, um caminho para a realização do compromisso assumido. Já o DEM, tem dificuldade no discurso se quem ouve tem memória sobre os tempos obscuros da ditadura militar. E eles têm muita dificuldade em fazer oposição nesse momento. Para o PMDB, partido com capilaridade em todo o país, negociar é suficiente.
(*) Marcel De Brot é chefe de redação e editor de caderno na sucursal de Brasília
"No Brasil, Jesus teria que se aliar a Judas", diz Lula
| Alan Marques/Folha Imagem |
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz que até "Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão" se fosse eleito para governar o Brasil. Na primeira entrevista à Folha após dois anos, declara que "a transferência de voto não é como passe de mágica". Diz, porém, que se empenhará em transferir o seu prestígio e o do governo para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, sua candidata. Nega que a eleição dela fosse equivaler a um terceiro mandato. "A Dilma no governo tem de criar a cara dela. Rei morto, rei posto."
Lula afirma ser "debate pequeno" a declaração do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, de que faz comícios pró-Dilma em viagens pelo país. Novamente de dieta para emagrecer, diz que apoiou a manutenção no cargo do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), por "segurança institucional". Segundo Lula, a oposição ia "fazer um inferno neste país".
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA - Não estava em debate quem era PT mais puro-sangue, menos puro-sangue. Era questão de viabilidade política. Dilma é a mais competente gerente que o Estado já teve. A capacidade de trabalho, a competência, o passado político e o presente, isso me faz garantir que é excepcional candidata.
FOLHA - Esse argumento não é muito tucano? O sr. nunca havia sido gestor, virou presidente e faz um governo bem avaliado.
LULA - Não é tucano, não. Além de gestora, é extraordinário quadro político.
FOLHA - Já há faixas na rua dizendo que Dilma eleita equivale ao seu terceiro mandato.
LULA - Exatamente o contrário. Uma mulher que tem a personalidade que a Dilma tem vai exigir que eu tenha o bom senso de quando elegi o Jair Meneguelli presidente do sindicato de São Bernardo, o José Dirceu presidente do PT. Rei morto, rei posto. A Dilma no governo tem de criar a cara dela, o estilo dela, o jeito dela de governar.
FOLHA - O sr. defende uma coalizão e uma disputa plebiscitária. Se a coalizão é importante, por que o candidato deve ser do PT e não de um partido aliado?
LULA - Porque seria inexplicável para grande parte da sociedade o maior partido de esquerda do país, que tem o presidente, não ter um sucessor.
FOLHA - Fechou ontem [anteontem] a aliança com o PMDB?
LULA - Haverá acordo nacional, e a chapa PT-PMDB.
FOLHA - Michel Temer é o nome para vice?
LULA - Quem discute vice é o candidato.
FOLHA - Se Ciro seguir emparelhado ou à frente de Dilma em março, quando o sr. e ele combinaram de decidir, que argumento o sr. pode usar para convencê-lo a desistir da Presidência e concorrer em SP?
LULA - Jamais farei isso.
FOLHA - O sr. patrocina a articulação para ele ser candidato em SP.
LULA - Não é verdade. Sou o único que não tem autoridade moral para pedir para alguém não ser candidato. Fui candidato a vida inteira. Só cheguei à Presidência porque teimei.
FOLHA - Como o sr. explica um governo popular e a oposição líder nas pesquisas da sucessão?
LULA - Ainda não temos candidatos.
FOLHA - Os motivos? Recall?
LULA - Lógico que é recall. Um candidato da oposição, governador de São Paulo, já foi candidato a presidente, já foi senador, já foi ministro, tem uma cara muito conhecida no Brasil inteiro. A transferência de voto não é como passe de mágica.
Vamos trabalhar para que a gente possa transferir todo o prestígio do governo e do presidente para a nossa candidatura.
FOLHA - Todo dia a Dilma aparece com o sr. no noticiário, viajando. O presidente do Supremo Tribunal Federal classificou de vale-tudo as viagens que viram comícios.
LULA - Você passa o tempo inteiro plantando sua rocinha. É justo que, quando ficar no ponto de colher, você vá colher. Ninguém pode ser contra a Dilma ir às obras comigo. Se for candidata, a lei determina que tem prazo em que não poderá mais ir. Até lá, ela é governo.
FOLHA - Mendes diz que o governo testa o limite da Justiça.
LULA - É um debate pequeno. Cada brasileiro tem o direito de falar o que bem entender, mas vamos continuar inaugurando.
FOLHA - Teme chapa Serra-Aécio?
LULA - Não.
FOLHA - Pediu a Aécio para não ser vice de Serra?
LULA - [Riso] Não, não.
FOLHA - Por que não abandonou Sarney na crise do Senado?
LULA - Não entendi por que os mesmos que elegeram Sarney, um mês depois, queriam derrubá-lo. Coincidentemente, o vice não era uma pessoa [Marconi Perillo, do PSDB de Goiás] que a gente possa dizer que dá mais garantia ao Estado brasileiro do que o Sarney. A manutenção do Sarney era questão de segurança institucional.
FOLHA - Se Sarney caísse, acabaria a sustentação política do governo?
LULA - A queda do Sarney era o único espaço de poder que a oposição tinha. Iam fazer um inferno neste país.
FOLHA - O sr. disse que Sarney não poderia ser tratado como um cidadão comum. Não é incorreto numa democracia, onde ninguém está acima da lei? Um presidente falar isso não transmite mensagem ruim?
LULA - É verdade que ninguém está acima da lei, mas é importante não permitir a execração das pessoas por conveniências eminentemente políticas. Sarney foi presidente. Os ex-presidentes precisam ser respeitados, porque foram instituições. Não pode banalizar a figura de um ex-presidente.
FOLHA - O sr. apoiou Sarney, reatou com Collor, é amigo de Renan Calheiros, de Jader Barbalho e recebeu Delúbio Soares recentemente na Granja do Torto. Todos são acusados de práticas atrasadas na política e até de corrupção. Ao se aproximar dessas figuras, não transmite ideia de tolerância com desvios éticos?
LULA - O dia em que você for acusado, justa ou injustamente, enquanto não for julgado, terá de ser tratado como cidadão normal. Não tenho relações de amizade, mas institucionais.
FOLHA - O cidadão o vê abraçado com essas figuras...
LULA - O cidadão tem de saber que eles foram eleitos democraticamente. E o eleitor dessas pessoas é tão bom quanto elas.
FOLHA - O sr. trabalhou pela reabilitação de Antonio Palocci. O caso do caseiro é superável eleitoralmente?
LULA - Desejo que todos os que foram acusados, e acho que tem muita gente acusada injustamente, que todos sejam julgados. Palocci teve um veredicto. Não tem mais nenhuma pendência com a Justiça. Pode ser o que quiser ser.
FOLHA - Ele pode ser candidato a governador de São Paulo?
LULA - Ele tem inteligência para saber se o momento é de uma candidatura ou não.
FOLHA - Seu aliado Ciro Gomes diz que há "frouxidão moral" na hegemonia da aliança entre PT e PMDB, da qual o sr. é o principal avalista. Como o sr. responde?
LULA - A aliança com o PMDB e os demais partidos permitiu governança muito tranquila. Se confirmada a aliança, será feito documento público para saber os compromissos assumidos.
FOLHA - E a frouxidão moral?
LULA - Conceito do Ciro.
FOLHA - Não quer responder.
LULA - Opinião do Ciro.
FOLHA - Não o incomoda?
LULA - Não. Ciro esteve no meu governo. A única coisa que não tem aqui é frouxidão moral.
FOLHA - Ciro disse que o sr. e FHC foram tolerantes com o patrimonialismo para fazer aliança no Congresso. Ou seja, aceitaram a prática de usar bens públicos como privados.
LULA - Qualquer um que ganhar as eleições, pode ser o maior xiita deste país ou o maior direitista, não conseguirá montar o governo fora da realidade política. Entre o que se quer e o que se pode fazer tem uma diferença do tamanho do oceano Atlântico. Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão.
FOLHA - É o que explica o sr. ter reatado com Collor, apesar do jogo baixo na campanha de 1989?
LULA - Minha relação com o Collor é a de um presidente com um senador da base.
FOLHA - Dá aperto no peito?
LULA - Não tenho razão para carregar mágoa ou ressentimento. Quando o cidadão tem mágoa, só ele sofre. Quando se chega à Presidência, a responsabilidade nas suas costas é de tal envergadura que você não tem o direito de ser pequeno.
Leia a íntegra da entrevista www.folha.com.br/0929415 Marcadores: 2010, Aécio Neves, Ciro Gomes, DEM, Dilma, Lula, Minas Gerais, PMDB, PSDB, PT, Sao Paulo, Serra
PMDB CRIA CONSELHO PARA CUIDAR DAS ALIANÇAS REGIONAIS
O GESTO QUE VALEU MAIS DE MIL PALAVRAS LULA QUER HÉLIO COSTA PARA O GOVERNO DE MINAS
Jornal Valor Econômico - Edição 22/10/2009
Presidente quer Hélio Costa como candidato ao governo
Lula foca em Minas para prestigiar o PMDB
Cristiano Romero De Brasília Interessado em prestigiar o PMDB nos Estados para ter seu apoio nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que o jogo de forças em Minas Gerais tem que contemplar, nas eleições de 2010, o ministro Hélio Costa para o governo estadual, Patrus Ananias para o Senado e o ex-prefeito Fernando Pimentel para a Câmara dos Deputados. Esta seria a forma de fortalecer a candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e acomodar as disputas entre PMDB e PT no segundo maior colégio eleitoral do país. Hélio Costa lidera, neste momento, as pesquisas de intenção de voto em Minas, mas Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte pelo PT, gostaria de sair candidato ao governo. Costa, que ameaça dividir palanque com o governador Aécio Neves (PSDB) em 2010 caso o PT lance candidato, tem um bom diálogo com o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, mas enfrenta a concorrência de Pimentel. Em nome do projeto Dilma, o presidente Lula temum plano para cada um desses atores. Pimentel seria, em tese, o mais prejudicado por um acerto entre o PT e o PMDB em Minas. Lula não concorda com essa avaliação. Acha que o ex-prefeito tem assegurada a eleição para a Câmara e prestígio suficiente para presidir a Casa em 2011 ou 2013. Além disso, por ser muito próximo da ministra Dilma — os dois militaram juntos na clandestinidade, há 40 anos, no grupo terrorista VAR-Palmares —, Pimentel, na acepção do presidente, tem tudo para se tornar ministro de sua gestão na Presidência. Este é um retrato de hoje, que pode mudar, mas a estratégia em curso para eleger Dilma em 2010 está vinculada a esse desenho. As soluções para Minas Gerais só se alteram se Aécio for o candidato a presidente pela oposição pois, neste caso, o desejo do presidente Lula é puxar Hélio Costa para ser vice de Dilma.Arazão é simples: é fundamental ter Minas forte na candidatura governista. Se o candidato da oposição for, no entanto, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), líder de todas as pesquisas eleitorais, os candidatos a vice-presidente cogitados por Lula são o presidente da Câmara, Michel Temer, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, recém-filiado ao PMDB. O presidente acha que os dois compõem com Dilma “uma boa fotografia” para disputar a Presidência, mas as vantagens e desvantagens de um e de outro começam a ser notadas. Presidente de honra do PMDB, Temer daria à candidatura Dilma, nas palavras de um assessor direto de Lula, “um ar mais institucional”. O deputado conhece bem o PMDB, pode levar o partido mais coeso para uma gestão Dilma, assegurandolhe uma governabilidade mais forte. Temer, na avaliação de assessores de Lula, pode ter o apoio também do senador José Sarney (PMDB-AP), que estaria grato por sua postura durante a crise que o atingiu na presidência do Senado. Meirelles, na visão de Lula, ajudaria a “modernizar” a chapa de Dilma. Sua presença no governo impediria que a gestão da futura presidente se pautasse apenas pelo desenvolvimentismo. “A tensão existente hoje no governo entre Ministério da Fazenda e Banco Central, e que Lula aprecia e até estimula, permaneceria num governo Dilma”, comentou um ministro com trânsito no gabinete presidencial. Meirelles, que tem o apoio do sistema financeiro, teria uma vantagem política adicional, na opinião de colaboradores do presidente Lula. Como entrou há pouco tempono PMDB e não tem mandato, ele seria um candidato neutro dentro do partido, uma vez que não tem nenhuma ligação com os líderes regionais e nacionais da legenda. A operação para filiar o presidente do Banco Centralao PMDBfoi orquestrada pessoalmente por Lula. A seus assessores, o presidente diz que a decisão de escolha do candidato a vice é da ministra Dilma, que aprecia tanto o nome de Temer quanto o de Meirelles. Sabe-se, no entanto, que Dilma não tomará uma decisão sem consultar Lula. Na cúpula do governo, o raciocínio dos articuladores políticos da sucessão é que Dilma tem que chegar a março com pelo 20% de preferência do eleitorado, mas não muito mais do que isso. Se ela tiver 30%, o governo acredita que Serra poderá desistir da disputa. “Ele não vai arriscar uma reeleição praticamente certa em São Paulo”, diz um ministro. As conversas no governo dão conta de que Lula prefere Serra a Aécio como adversário de Dilma em 2010 porque, se a disputa for com o governador de São Paulo, a eleição será pautada pela comparação entre os oito anos de mandato de Lula e os oito de Fernando Henrique Cardoso, supostamente favorável ao primeiro. O presidente acha que Aécio é “mais imprevisível” como candidato. Lula continua preferindo ter um candidato só para sucedê-lo. Acredita que, com isso, a eleição será plebiscitária e Dilma vencerá no primeiro turno. O presidente aposta que, mesmo que não vença no primeiro turno, Dilma definirá o pleito no primeiro turno para ganhar a disputa no segundo. Nesse cenário, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), outro postulante da base governista à sucessão de Lula, partiria para a disputa do governo de São Paulo, onde ajudaria a infernizar a vida de José Serra, tirando o maior número possível de votos para Dilma. Esse Lula, autor de todos os lances da estratégia e seu executor, vê que está chegando ao fim do ano pré-eleitoral em situação infinitamente mais favorável do que estava no mesmo período de 2005, quando foi atingido pelos escândalos do mensalão. Além de a economia estar em situação mais benigna, a oposição tenta produzir fatos contra o governo e não consegue — inflou a crise Sarney, mas o governo conseguiu se safar; inflou a crise Petrobras e, agora, o governo faz circular até uma piada do presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, para retratar o fracasso dessa estratégia. “A CPI da Petrobras está tão esvaziada que, hoje, a cobertura jornalística da comissão está limitada ao blog da Petrobras”, disse Gabrielli a um ministro. |
Para quem achava pouca a disputa entre o ex-prefeito Fernando Pimentel e o ministro Patrus Ananias, ontem ela ganhou um capítulo. Pimentel colocou seu fiel escudeiro, o vice-prefeito Roberto Carvalho como candidato à presidência do diretório municipal e engrossou o coro dos que, no PT, não querem a prévia entre os dois - o ministro e o ex-prefeito. O grupo de Pimentel acha que o resultado das eleições internas para a formação do diretório municipal já deve funcionar como prévias, isto é, o grupo que ganhar leva e indica o candidato ao Governo do Estado. Simples, como se não fosse o PT uma espécie de introdutor das prévias nos partidos políticos nacionais.
O grupo do ministro Patrus Ananias tem uma outra visão. Acha que o processo de eleição interna, a que deram o nome de PED, é uma coisa, e prévias, outra. De fato, as regras são diferentes, embora possam apontar para o mesmo lugar. O que Patrus acha, mas não comenta, é que o processo de eleições internas está viciado, daí não o admitir como elemento de escolha do candidato do PT ao Palácio da Liberdade. Pimentel não acha assim, e embora diga que não vê problemas nas prévias, também defende o resultado das eleições internas como suficiente para a escolha do candidato ao Governo do Estado.
Vai ser essa lengalenga até o final. No PT, as coisas costumam acontecer assim. O fato é que a escolha do nome do PT para o Palácio da Liberdade reflete em outras chapas, como, por exemplo, na do PMDB. O ministro Hélio Costa, por exemplo, não admite disputar o Governo se a ala do deputado Adalclever Lopes ganhar, do deputado federal Toninho Andrade, as eleições para o diretório estadual do PMDB. Hélio Costa desconfia que sua candidatura irá para o espaço se isso acontecer porque a ala do deputado Adalclever já estaria fechada com o ex-prefeito Fernando Pimentel. Por sentir que poderá ficar até sem legenda, Hélio tem afirmado que só será candidato se o deputado Toninho Andrade derrotar Adalclever.
É evidente que poucos no PMDB admitem a veracidade desse pacto que já teria sido feito entre os que apoiam Adalclever e o ex-prefeito Fernando Pimentel. Mas não deixaria de ser curioso ver, por exemplo, o ex-governador Newton Cardoso, o principal fiador da campanha de Adalclever, apoiando o ex-prefeito Fernando Pimentel. Ora, foi exatamente o grupo do ex-prefeito que puxou o tapete de Newton Cardoso quando ele saiu candidato ao Senado na chapa do ex-ministro Nilmário Miranda para governador. Newton confiava no apoio fechado do PT e quando foi ver os votos, cadê? Gato havia comido, vindo daí a aproximação mais estreita do governador Aécio Neves com o então prefeito Fernando Pimentel. De forma que somente as artes da política, a política dos resultados e não exatamente a dos princípios, que fariam com que o ex-governador Newton Cardoso pudesse apoiar o ex-prefeito Fernando Pimentel. Mas tanto no PMDB como no PT poucos negam a existência desse acordo entre a ala de Adalclever com o grupo de Pimentel, não sendo outra a razão para que o ministro Hélio Costa só admita a candidatura ao Palácio da Liberdade se o PMDB estiver nas mãos do deputado Toninho Andrade. E a luta aí está brava.
Mas não menos complicada do que a que trava o governador Aécio Neves com a cúpula tucana. A direção do PSDB, com o presidente Sérgio Guerra à frente, quer porque quer que o governador de Minas defina logo sua participação nas eleições de 2010, dispensando as prévias e compondo a chapa como vice de José Serra. Aécio enfrenta as pressões com firmeza e se recusa a imolar sua carreira política como vice do governador paulista. Os tucanos sabem que Serra terá votação pequena no Nordeste, boa no Sul, mas que a eleição poderá ser decidida em Minas, o segundo colégio eleitoral do país. E confiam na popularidade do governador Aécio. Esquecem, porém, que Aécio tem mais de 80% de aprovação se candidato à Presidência da República e não necessariamente à Vice-Presidência. O governador sabe que os mineiros aceitarão bem uma candidatura dele para o Senado, mas não terão a mesma boa vontade para vê-lo como vice de Serra.
A reboque, como ocorre na maioria das viagens presidenciais pelo país, virá ao Estado a pré-candidata governista ao Planalto, a ministra Dilma Rousseff. Ela, aliás, visitou ontem cidades do interior paulista.
Assim, nesta semana, a comitiva presidencial vai priorizar, exatamente, as visitas a territórios de domínio tucano. Será uma forma de dar visibilidade à pré-candidatura de Dilma em Minas, terreno de Aécio Neves, e em São Paulo, de José Serra.
A visita a Minas será uma oportunidade para Lula responder às duras críticas feitas por Aécio durante um evento organizado pelo PSDB no último sábado. Na ocasião, o tucano disse que o governo é "quixotesco por achar que descobriu o Brasil" e alfinetou a administração federal acusando a "companheirada" de inchar a máquina pública.
Oficialmente, a presença de Lula em Minas Gerais é novamente motivada pelo anúncio de obras do PAC. E, sem dúvidas, será também uma forma de capitalizar as obras federais em favor da ministra - postulante ungida por Lula.
Outro grande desafio do presidente em Minas Gerais é unificar sua base de apoio. No Estado, há três pré-candidatos governistas ao Palácio da Liberdade - os ministros Patrus Ananias e Hélio Costa, e o ex-prefeito Fernando Pimentel. Lula sabe que será prejudicial à Dilma Rousseff uma eventual divisão de palanques entre a base aliada. O presidente precisará, portanto, interceder nessa situação para evitar riscos.
HOJE É DIA DE CAMPANHA PARA OS CANDIDATOS DO PT E PMDB
PMDB
O PT, tem data prevista de sua eleição para o diretório estadual no dia 22 de novembro e o PMDB no dia 13 de dezembro.
Marcadores: 2010, Adalclever, Aécio Neves, Antonio Andrade, Belo Horizonte, Fernando Pimentel, Hélio Costa, Newton Cardos, Patrus Ananias, Pimentel, PMDB, PT
Minas, Bahia e Rio estão bem na fita
AÉCIO PRESSIONA PSDB PELAS PRÉVIAS E VALORIZA PMDB NAS COMPOSIÇÕES REGIONAIS
O governador Aécio Neves, cobra urgência do PSDB, para definição das prévias e destaca a importância do PMDB nos estados.
Como a direção partidária, não cumpriu a resolução da Executiva Nacional, que fixava setembro com prazo para que fosse estabelecida a data das prévias, o governador Aécio Neves ficou com a pulga atrás da orelha.
Além de não fixar data para as prévias, que deverão acontecer entre dezembro deste e fevereiro do ano que vem, o PSDB não cumpriu o prazo para conclusão do recadastramento de seus 1,1 milhão de filiados, que terminou dia 30 de setembro.
Nos bastidores, comenta-se que o governador José Serra, já teria conseguido a garantia de adiamento da decisão até março e trabalharia para que a escolha não fosse feita por meio de prévias.
O Serra está parecendo o ex-prefeito de BH Fernando Pimentel, que acha as prévias desnecessárias.
Porém, Aécio Neves mantém a expectativa e defende uma consulta ampla às bases partidáris.
"O partido, quando tomou a decisão pelas prévias, falava sério."
O governador se mostrou otimista em relação ao PMDB, argumenta que mesmo que a cúpula feche acordo com o PT, em muitos estados os peemedebistas estariam mais próximos dos tucanos.
"Continuo acreditando que a tendência do PMDB é valorizar as situações regionais. Até porque o PMDB é um partido fortíssimo e fundamental para a governabilidade do país."
Na opinião de Aécio Neves, o PMDB vai manter a tradição de privilegiar as aliança estaduais, o que lhe garantiria manter bancadas fortes na câmara e no senado.
Vejam a matéria na íntegra abaixo.
Tucano mineiro vai pedir, durante evento em Goiânia, uma posição sobre a escolha do candidato
Aécio espera definição mais clara sobre prévias tucanas
Governador de Minas defende a ampla participação da base no processo
Guilherme Ibraim
Pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto em 2010, o governador Aécio Neves disse ontem que irá pedir à cúpula de seu partido uma definição "mais clara" sobre a realização das prévias internas. No entanto, na mesma entrevista, o governador disse que a legenda "não está com pressa" em definir o nome do candidato à Presidência da República. Aécio disputa o posto de candidato tucano com o governador de São Paulo, José Serra.
"Volto a ter conversas esta semana ainda em um evento com a direção do partido e acho que está no momento de o partido dar alguns sinais mais claros do que irá fazer. No que depender de mim, nós teremos uma consulta ampla às bases do partido", ressaltou o governador.
O pedido de definição sobre a realização das prévias deverá ocorrer, segundo o governador, em um evento do partido na cidade de Goiânia (GO), no próximo sábado. O encontro faz parte de uma série de reuniões que está sendo realizada pelos tucanos em todas as regiões do país para discutir temas como segurança pública, agricultura e emprego.
Na disputa entre os dois pré-candidatos do PSDB, o governador José Serra tem sido mais cauteloso nos discursos relativos às prévias tucanas. Por outro lado, o governador mineiro tem, ao longo dos últimos meses, insistido na realização da consulta à militância do PSDB.
Aécio Neves negou que a indefinição em torno do candidato de oposição ao atual governo estaria atrapalhando os planos do PSDB. Na avaliação de Aécio, a situação prejudica o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Ao contrário, ela (indefinição) confunde um pouco o governo. Ela, eu acho, paralisa de alguma forma as ações do governo em relação às oposições", afirmou Aécio. Exemplificando a questão, disse que a saída da ex-ministra Marina Silva para o PV demonstra as "dificuldades internas" do governo em definir um candidato para 2010.
Sobre a mudança de domicílio eleitoral do deputado Ciro Gomes (PSB), do Estado do Ceará para São Paulo, Aécio disse que ela "faz parte do jogo" e que o deputado do PSB continua podendo se candidatar à Presidência no ano de 2010.
Persistência
Sobre o fato de o PT tentar fechar aliança com o PDT e o PCdoB, Ciro Gomes voltou a dizer que sua candidatura está confirmada. "O verbo desistir pressupõe um sujeito, e eu não desisto em hipótese alguma."
Prévias petistas
São Paulo. A Executiva Estadual do PT paulista decidiu ontem que os pré-candidatos a governador pelo partido deverão ter indicação formal de pelo menos 1% dos filiados no Estado para concorrerem - cerca de 3.000 adesões.
Dilma janta com PR
Base. Seguindo na busca de apoio à sua candidatura, a ministra Dilma Rousseff jantou ontem com lideranças do PR, assim como fez com o PDT na semana passada. Oficialmente, o encontro não tem como foco uma eventual aliança no ano que vem.
PSDB aposta em acordos regionais com PMDB
A possibilidade de o PT e PMDB acertarem uma aliança para as eleições de 2010 não deverá prejudicar a costura de alianças regionais dos peemedebistas com o PSDB. A avaliação é do governador Aécio Neves (PSDB).
Segundo ele, tradicionalmente, o PMDB tem a tendência de valorizar as composições regionais em detrimento da posição nacional.
“Eu continuo acreditando que a tendência do PMDB é valorizar as suas situações regionais, até porque o PMDB é hoje um partido fortíssimo e fundamental para a governabilidade do país, exatamente porque privilegiou sempre as suas situações regionais”, ressaltou o governador.
Um dos argumentos do governador remete às eleições de 2002. “O PMDB já esteve formalmente conosco quando o governador José Serra foi candidato à Presidência e isso não significou uma unidade do PMDB em torno da candidatura do PSDB”, disse Aécio.
Em Minas Gerais o PMDB apoiava o governo de Aécio, mas por conta da disputa pela vaga ao Palácio da Liberdade, no ano que vem, o partido formou um bloco oposicionista com o PT e PCdoB.
No plano nacional, a legenda está negociando o apoio à candidatura da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). Para tanto, os peemedebistas tentam garantir a vaga de candidato a vice na chapa da petista. (GI)
Hoje o Presidente Lula, iniciou pela nossa Minas Gerais, uma viagem de 03 dias pelo Rio São Francisco. O objetivo da viagem é, visitar as obras de transposição do Velho Chico. Mas, como trouxe a Ministra Dilma a tiracolo, Lula aproveita para alavancar a campanha de sua candidata.
Aqui em Minas, o presidente foi recebido em Pirapora pelo Governador Aécio Neves, um dos pré-candidatos à Presidência pelo PSDB. Aécio não subiu no palanque em Buritizeiro, preferindo permanecer em Pirapora.
Na etapa nordeste, a comitiva contará com a participação dos governadores da Bahia Jacques Wagner, de Pernambuco, Eduardo Campos e do Ceará Cid Gomes, irmão de Ciro Gomes, outro pré-candidato à sucessão de Lula.
O presidente, que tem pressa em garantir palanques fortes para a Ministra Dilma, aproveita a viagem para fazer política e aparar as arestas entre PT e PMDB em Minas e na Bahia.
Veja matérias sobre o assunto nos jornais:
O Tempo - "LULA COMEÇA PEREGRINAÇÃO POR MINAS"
O Estado de Minas - "DIA DE CAMPANHA EM MINAS"
Hoje em Dia - "LULA REFORÇA DEFESA DA OBRA NO SÃO FRANCISCO
11/10/2009
Figura das mais controversas no meio político, o ex-governador Newton Cardoso, anda ensaiando a sua volta como deputado federal. Para atingir seu objetivo aposta no apoio ao jovem deputado estadual Adalclever Lopes para o comando do diretório do PMDB em Minas.
O ex-governador, que vira e mexe tenta tirar a legenda do Ministro Hélio Costa, articula nos bastidores com o grupo de Fernando Pimentel, um acordo que visa tirar o ministro do caminho do ex-prefeito.
Newtão, como é conhecido, publicamente até jura ter problemas com o PT, mas de olho em uma vaga na Câmara dos Deputados, topa abrir mão da cabeça de chapa à favor de Fernando Pimentel, jogando por terra a oportunidade do PMDB eleger o próximo governador.
DEU NO O TEMPO
Na briga do PMDB, Hélio Costa pode se transformar em um rei sem reino
Ministro do governo Lula, bem relacionado com o governador Aécio Neves e líder nas primeiras pesquisas de intenção de voto para a disputa pelo Palácio da Liberdade, Hélio Costa tinha tudo para estar voando em um céu de brigadeiro. Mas não está. Assim como ocorre em todo o resto do país, o PMDB em Minas não é um, mas, sim, vários partidos. E Hélio Costa, pelo desenrolar dos fatos até agora, parece ter escolhido (ou ter sido empurrado) para o lado mais fraco da sigla no Estado.
O grupo do ministro defende uma candidatura própria e uma aliança com o PT só em caso de segundo turno ou, então, se os petistas abrissem mão da cabeça de chapa. Até aí, tudo bem. Se todo o partido tivesse esse mesmo pensamento, provavelmente o ministro sairia candidato e, se não trouxesse o PT junto com ele, pelo menos neutralizaria a atuação de Lula e Dilma Rousseff em Minas em nome de uma ampla aliança nacional.
O problema é a falta de sintonia entre os peemedebistas mineiros, apesar do discurso de unidade. Outra ala do partido, chefiada pelo cacique Newton Cardoso e representada pela candidatura do deputado estadual Adalclever Lopes à direção da legenda em Minas Gerais – Costa apoia Antônio Andrade –, não faz a mínima questão de lançar um candidato próprio.
Parte dos deputados federais e estaduais do PMDB está mais interessada em uma aliança com o PT para assegurar a reeleição. Pois, juntos em uma coligação, com ou sem a candidatura do ministro ao governo de Minas, com certeza garantiriam maior número de cadeiras no Legislativo.
Se lançarem candidato próprio e brigarem com o PT no Estado, poderiam azedar a aliança proporcional para eleger parlamentares de ambos os partidos. Aí reside o perigo para Hélio Costa: ficar com o status de um rei, mas sem um reino para governar.
ENTREVISTAS PUBLICADAS HOJE NO O TEMPO MERECEM NOSSA ATENÇÃO E REFLEXÃO
11/10/2009
Duas entrevistas foram publicadas no Jornal O Tempo neste domingo, uma com o Ministro Patrus Ananias e outra com o ex-prefeito Fernando Pimentel, ambos pré-candidatos ao governo de Minas.
Interessante a diferença de estilo entre os dois petistas.
Patrus tem uma atitude mais tranqüila e equilibrada ao discorrer sobre o assunto eleitoral em 2010. Se coloca a favor das prévias partidárias, um mecanismo democrático e tradicional no partido. Afirma que são temáticas diferentes, as que serão votadas nos dois processos, por isso a necessidade de serem tratadas separadamente.
“A democracia é inerente à política, sobretudo no PT. Mais do que normal, acho saudável que outras posições diferentes se coloquem. Agora, que elas sejam explicitadas. O debate inter no no partido é saudável. O PT não pode ter medo de prévias. O importante é que o debate se dê dentro de critérios éticos, democráticos.”
O seu companheiro Pimentel, acredita que as prévias são desnecessárias, já que os votantes são os mesmos nas duas situações – PED - processo de eleição direta e prévias. O ex-prefeito julga “absolutamente desnecessário prolongar esse processo (as prévias).”Afirma ainda que o PT pode encerrar o processo com o resultado do PED, e que esta é a opinião de todo o partido.
Na entrevista, ambos falam sobre suas experiências políticas e administrativas.
O ex-prefeito Fernando Pimentel se acha mais preparado para conduzir a política de alianças em torno de seu nome e não pensa em abrir mão da cabeça de chapa para o PMDB .
“... Minas tem um desafio: a base aliada do presidente Lula aqui é base aliada do governador, exceto o PMDB. Mas precisamos transitar bem nos outros partidos também - PTB, PP, PR, PSB, que os meus opositores dentro do PT não apoiaram na aliança em Belo Horizonte. Você vê que aí tem um jogo político muito refinado. Eu acho que o PT hoje está maduro para perceber isso. Não é um desmerecer o outro. É buscar qual é o melhor para agregar mais e para fazer essas alianças.”
O Ministro Patrus, conta com sua experiência frente ao Ministério do Desenvolvimento Social e aposta .no diálogo para a formação de um palaque forte para a Ministra Dilma em MG.
“Minha candidatura representa a tradição do PT de 30 anos. Sou militante do PT há 30 anos. Militância clara, de tarefas e responsabilidades. Sou membro do diretório nacional do PT. Fui presidente do PT em Minas, duas vezes secretário geral do partido. Disputei seis eleições, sendo três majoritárias, sempre com o apoio do partido. Na Prefeitura de Belo Horizonte, unificamos todas as forças do partido. Então, minha candidatura representa minha história, minha intensa militância dentro do partido, minha militância também social, como advogado sindical e trabalhista, meu trabalho com movimentos sociais, na igreja.”
“… Eu tenho um diálogo aberto, franco, por exemplo, com o ministro Hélio Costa, meu amigo e colega de governo. Mas, neste momento, eu estou cuidando de garantir a minha indicação pelo PT. O momento agora é de provocar uma saudável emulação dentro dos partidos.”
Leia a íntegra das duas entrevistas em www.otempo.com.br
Chamados para turbinar a candidatura do Dep. Federal Reginaldo Lopes à Presidência do PT, jantaram ontem, em Belo Horizonte os deputados federais Candido Vaccarezza e João Paulo Cunha.
Aliados do ex-prefeito Fernando Pimentel, defenderam a candidatura própria do PT ao governo de Minas e ressaltaram a importância de ter o PMDB como aliado nas eleições de 2010.
Sabedores da importância de Minas na sucessão presidencial, ambos afirmaram que na avaliação interna do partido, não haverá problemas na composição da chapa no estado, desde que a cabeça de chapa seja do PT.
Porém, a afirmação por si só já é um complicador. Corre pelos corredores palacianos em Brasília, a constante preocupação do Presidente Lula com a situação eleitoral em nossa Minas Gerais.
O presidente sabe que precisa ter um palanque forte para sua candidata Ministra Dilma Roussef e sabe também que precisa do apoio dos diversos partidos de sua base, principalmente do PMDB, para viabilizá-la, caso contrário correrá um sério risco no segundo maior colégio eleitoral brasileiro.
No meio desta guerra, surgem candidatos, antes aliados, para a disputa presidencial, a senadora e ex-ministra Marina Silva e o deputado federal Ciro Gomes.
Marina poderá contar com o apoio e os votos de Heloísa Helena (8% de acordo com a ultima pesquisa Ibope), já Ciro Gomes, afirmou categoricamente que, se o governador Aécio Neves for candidato a presidência da República, tem seu apoio e seus votos.
Importante lembrar que, Ciro e Dilma andam empatados tecnicamente, em torno dos 14%.
O que os deputados Candido Vaccarezza e João Paulo, esqueceram de levar em consideração é que existe tanto do lado do PSDB quanto do PMDB, dois bons possíveis candidatos, o vice-governador Antonio Anastasia e o Ministro Hélio Costa.
Anastasia anda percorrendo o estado para tentar se viabilizar, o Ministro Hélio Costa detêm mais de 40% da intenção de votos no momento e, uma aliança entre PMDB e PSDB ainda não foi descartada.
Juntos, os dois partidos podem sim complicar a formação de um palanque forte para Ministra Dilma nas Minas Gerais, enfraquecendo não só a candidata de Lula, como o candidato do PT - seja ele Patrus ou Pimentel - ao Palácio da Liberdade.
Vamos aguardar o desenrolar deste complicado enredo.