CALMA PMDB

quarta-feira, outubro 28, 2009 / /

O jornalista Carlos Lindenberg, do Hoje em Dia, dá um puxão de orelha a setores do PMDB mineiro, em sua coluna de hoje.
Lindenberg faz uma avaliação sobre a disputa interna do partido em Minas, critica a disputa pelo comando do partido travado entre os grupos do Ministro e Senador Hélio Costa, que apoia o Deputado Federal Antônio Andrade e o grupo do ex-governador Newton Cardoso, que apoia o Deputado estadual Aldaclever Lopes, e levanta a questão: A quem interessa o racha do PMDB? Quem se beneficiária com a disputa?

Leia na íntegra.

Carlos Lindenberg
PMDB precisa ter mais calma nessa hora



Parlamentares e lideranças do PMDB deram ontem, desnecessariamente, nova demonstração de incivilidade e atraso na condução dos interesses do partido. Uma pena. Estão tratando o PMDB da capital, mas não só ele, como um partideco dos velhos tempos do inóspito interior de Minas da década de 50. Cenas lamentáveis aconteceram ontem na reunião do diretório, convocada para pôr fim ao mandato da atual direção - como revela matéria do repórter Alex Capella, que a tudo presenciou, aí ao lado. "Bandido", "filhote da ditadura", tapas na mesa, murros... também na mesa, e a presença da PM. Tudo isso foi visto na reunião do maior partido do país e em cujas fileiras poderão estar o futuro vice-presidente da República e até o próximo governador de Minas Gerais.
Um horror. Os mais velhos poderão lembrar das cenas do falecido coronelismo do interior de Minas em época de convenção. Só faltou, ontem, que alguém tirasse o revólver. Mas houve quem partisse na direção de correligionário com o dedo em riste e os olhos em brasa. "Tira a mão daí", "Não encosta em mim", eram palavras ouvidas a toda hora e tudo isso porque o partido, que poderá eleger o próximo governador de Minas Gerais, está brigando por questões menores. Um briga para controlar o diretório do município onde faz política, outro porque tem mágoa da gestão anterior, um terceiro porque tem a vocação genética para a briga política e por aí vai.
O PMDB, na verdade, se ressente de um líder. Alguém que não seja chefe de apenas uma facção, mas que tenha autoridade para pairar sobre os grupos que se digladiam no interior da sigla, e com força moral suficiente para chamar os brigões, os ranzinzas e os espertalhões às falas. É verdade que um e outro brigam por questões maiores, mas uma boa parte pensa e age como aprendizes de coronéis dos pequenos burgos que sobrevivem à aragem de modernidade porque passa o país. Seria necessário que alguém chamasse o PMDB à razão. O PMDB, à exceção do PSDB do governador Aécio Neves, é o único partido que tem um candidato com chances reais de vitória, o ministro das Comunicações, Hélio Costa. Curiosamente, as duas alas em que se divide o partido proclamam que é isso mesmo, que Hélio Costa é o candidato de todos. Pode ser. Mas é preciso que alguém diga a Hélio Costa para acreditar nisso, porque o ministro e futuro candidato sabe que nessa disputa pelo diretório estadual, que começa com os municipais, alguém não está falando a verdade. Porque, se estivesse, óbvio, a briga não estaria nesse nível.
Seria também oportuno perguntar a quem interessa essa divisão do PMDB na antevéspera de uma campanha eleitoral que tem tudo, ou quase tudo, para ser vitoriosa. O partido tem diretórios por todos os cantos, tem vereadores e prefeitos por quase todo o interior, tem deputados estaduais, federais e senadores como nenhum outro, ou seja, o partido tem votos, como se viu nas últimas eleições e, sobretudo, tem candidato. Falta ao PMDB o quê? Faltam clareza e firmeza de propósitos. Clareza para entender que, sozinho, a despeito de tudo, o partido não chega ao Palácio da Liberdade. E firmeza de propósitos para conduzir-se na direção da vitória possível e tangível. É verdade que o PT, com quem o PMDB deve se alinhar no plano federal, também está dividido entre o ministro Patrus Ananias e o ex-prefeito de BH Fernando Pimentel. Ora, é óbvio que uma das razões do racha do PMDB é a disputa interna do PT. A outra são interesses que ainda não vieram a público, de grupos que buscam abrigo na sombra de votos do PMDB e que atuam de fora para dentro nessa hora de disputa.
É hora de as lideranças mais serenas do PMDB, muitas delas olhando essa confusão de fora, entrem em ação, até para lembrar aos mais afoitos o custo que o partido pagou em passado recente por alianças mal costuradas - e não só o partido, como lideranças respeitáveis do PMDB, algumas delas ainda em ação. É sabido que, infelizmente, muitas da atuais lideranças políticas não contribuem para o fortalecimento dos partidos. Outras sequer reconhecem a sua legitimidade e agem aos atropelos calcados nessa crença. O PMDB está sendo vítima, em certa medida, dessa estranha forma de pensar e de agir de alguns. E por causa disso oferece à história política de Minas cenas degradantes como as de ontem.

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