A Hora da Verdade no PMDB

domingo, outubro 04, 2009 / /

O tempo está esquentando nos partidos políticos em Minas. A disputa no diretório do PMDB coloca frente a frente o ex-governador Newton Cardoso e o Ministro Hélio Costa. 

 

A HORA DA VERDADE NO PMDB E O SEU RACHA
Coluna do Carlos Lindemberg - JORNAL HOJE EM DIA

Sem entendimento e muito menos terceira via. O PMDB mineiro está diante de um racha era iminente. O partido sempre conviveu em harmonia com sua desarmonia interna e fazia disso seu maior triunfo na hora de não decidir algo. Resultado: a legenda sempre ficou sentada esperando que uma de suas facções abrisse as portas do poder e do governo, sem a necessidade de conquistá-lo. Aliás, o PMDB descobriu o caminho de chegar ao poder sem levar consigo o ônus e riscos de ter de disputá-lo.
Os posicionamentos últimos manifestados por suas principais lideranças sinalizam que não há caminho de volta e que as pontes do entendimento foram destruídas. De um lado, o ministro Hélio Costa (Comunicações), favorito nas pesquisas, diz que não manterá sua pré-candidatura a governador se o diretório do PMDB for parar nas mãos do deputado estadual Adalclever Lopes, apoiado pelo ex-governador Newton Cardoso. As eleições para presidente estadual do PMDB acontecem no final do ano. Hélio Costa ainda virou cabo eleitoral do deputado federal Antônio Andrade. "Só serei candidato se Antônio Andrade for o presidente do PMDB". Em resposta, Newton Cardoso fez um apelo ao ministro, por meio do HOJE EM DIA, e depois por carta, para que ele desistisse da empreitada, num tom que vai além da advertência. Para ele, se houver disputa, a candidatura de Hélio Costa ao Palácio da Liberdade será a mais prejudicada. Poucas palavras bastam para o bom entendedor.
Apesar da preciosa chance de ser eleito governador, depois de perder outras duas, Hélio Costa chegou à conclusão de que o seu partido precisa definir se vai entrar em um novo tempo ou manter as amarras. Há 23 anos, o partido tem sido prisioneiro da influência de Newton Cardoso. Por isso, Hélio Costa não quer ser um candidato tutelado, convencido de que disputar uma eleição e, depois, governar já é muito difícil, ainda mais se não tiver liberdade de ação. Ele não quer fechar portas, como já fizeram Adalclever e Newton Cardoso, ao PSDB de Aécio Neves. Outro dia mesmo tentaram colocar o PMDB no bloco da oposição na Assembleia, mas bastou falar que seria contra Aécio Neves para que dissidências se manifestassem. Não há coesão interna e, se não há, fechar portas traz risco a todos. O maior deles é se o governador Aécio Neves, do qual o grupo de Adalclever é contra, virar candidato a presidente. Não será fácil explicar a oposição aos eleitores.
Newton Cardoso se disse assustado com a posição de Hélio Costa. "A disputa, que tem se acentuado nas últimas semanas, vem produzindo divisões internas que certamente se refletirão mais à frente", advertiu. Newton reconhecer a legitimidade da candidatura de Andrade, mas insinua que sua manutenção atende a interesses externos ao partido. "Esse risco é que o ministro não deveria correr", avisa Newton.
Pronto, o conflito está armado. Nem Hélio Costa aceita a candidatura a presidente do partido de Adalclever muito menos Newton, a de Andrade. Façam suas apostas, e que o PMDB consiga se livrar da ameaça de racha ou, então, que rache de vez, para ver se, das cinzas, surja um partido com luz e projetos próprios. Como também lhe é comum, bombeiros entrarão em campo para que uma terceira via se viabilize, como prorrogar o comando do atual presidente, o interino Zaire Rezende. Paliativos que só adiariam, mais uma vez, seu futuro, se é que há futuro para o PMDB. Ele deve é fazer de seu racha o seu recomeço ou, então, o próprio fim. O risco aí é de sua ausência passar desapercebida.


(*) Orion Teixeira é editor de Política

0 comentários:

Postar um comentário