O impacto, nas eleições de 2010, das disputas internas entre PT e PMDB, tem sido pauta recorrente em nosso blog.
Hoje, o jornalista Carlos Lindemberg, escreve um artigo no Hoje em Dia e decifra as intenções do grupo do ex-governador Newton Cardoso, apoiador do deputado estadual Adalclever Lopes à presidência do PMDB/MG.
Leia o artigo na íntegra.
Carlos Lindenberg
As idas e vindas da política em Minas
Para quem achava pouca a disputa entre o ex-prefeito Fernando Pimentel e o ministro Patrus Ananias, ontem ela ganhou um capítulo. Pimentel colocou seu fiel escudeiro, o vice-prefeito Roberto Carvalho como candidato à presidência do diretório municipal e engrossou o coro dos que, no PT, não querem a prévia entre os dois - o ministro e o ex-prefeito. O grupo de Pimentel acha que o resultado das eleições internas para a formação do diretório municipal já deve funcionar como prévias, isto é, o grupo que ganhar leva e indica o candidato ao Governo do Estado. Simples, como se não fosse o PT uma espécie de introdutor das prévias nos partidos políticos nacionais.
O grupo do ministro Patrus Ananias tem uma outra visão. Acha que o processo de eleição interna, a que deram o nome de PED, é uma coisa, e prévias, outra. De fato, as regras são diferentes, embora possam apontar para o mesmo lugar. O que Patrus acha, mas não comenta, é que o processo de eleições internas está viciado, daí não o admitir como elemento de escolha do candidato do PT ao Palácio da Liberdade. Pimentel não acha assim, e embora diga que não vê problemas nas prévias, também defende o resultado das eleições internas como suficiente para a escolha do candidato ao Governo do Estado.
Vai ser essa lengalenga até o final. No PT, as coisas costumam acontecer assim. O fato é que a escolha do nome do PT para o Palácio da Liberdade reflete em outras chapas, como, por exemplo, na do PMDB. O ministro Hélio Costa, por exemplo, não admite disputar o Governo se a ala do deputado Adalclever Lopes ganhar, do deputado federal Toninho Andrade, as eleições para o diretório estadual do PMDB. Hélio Costa desconfia que sua candidatura irá para o espaço se isso acontecer porque a ala do deputado Adalclever já estaria fechada com o ex-prefeito Fernando Pimentel. Por sentir que poderá ficar até sem legenda, Hélio tem afirmado que só será candidato se o deputado Toninho Andrade derrotar Adalclever.
É evidente que poucos no PMDB admitem a veracidade desse pacto que já teria sido feito entre os que apoiam Adalclever e o ex-prefeito Fernando Pimentel. Mas não deixaria de ser curioso ver, por exemplo, o ex-governador Newton Cardoso, o principal fiador da campanha de Adalclever, apoiando o ex-prefeito Fernando Pimentel. Ora, foi exatamente o grupo do ex-prefeito que puxou o tapete de Newton Cardoso quando ele saiu candidato ao Senado na chapa do ex-ministro Nilmário Miranda para governador. Newton confiava no apoio fechado do PT e quando foi ver os votos, cadê? Gato havia comido, vindo daí a aproximação mais estreita do governador Aécio Neves com o então prefeito Fernando Pimentel. De forma que somente as artes da política, a política dos resultados e não exatamente a dos princípios, que fariam com que o ex-governador Newton Cardoso pudesse apoiar o ex-prefeito Fernando Pimentel. Mas tanto no PMDB como no PT poucos negam a existência desse acordo entre a ala de Adalclever com o grupo de Pimentel, não sendo outra a razão para que o ministro Hélio Costa só admita a candidatura ao Palácio da Liberdade se o PMDB estiver nas mãos do deputado Toninho Andrade. E a luta aí está brava.
Mas não menos complicada do que a que trava o governador Aécio Neves com a cúpula tucana. A direção do PSDB, com o presidente Sérgio Guerra à frente, quer porque quer que o governador de Minas defina logo sua participação nas eleições de 2010, dispensando as prévias e compondo a chapa como vice de José Serra. Aécio enfrenta as pressões com firmeza e se recusa a imolar sua carreira política como vice do governador paulista. Os tucanos sabem que Serra terá votação pequena no Nordeste, boa no Sul, mas que a eleição poderá ser decidida em Minas, o segundo colégio eleitoral do país. E confiam na popularidade do governador Aécio. Esquecem, porém, que Aécio tem mais de 80% de aprovação se candidato à Presidência da República e não necessariamente à Vice-Presidência. O governador sabe que os mineiros aceitarão bem uma candidatura dele para o Senado, mas não terão a mesma boa vontade para vê-lo como vice de Serra.
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