O jornal Estado de São Paulo de hoje traz entrevista com o Ministro das Comunicações e pré-candidato ao Governo de Minas Hélio Costa.
Na matéria, Costa confirma a disposição em disputar a sucessão de Aécio Neves, fala do apoio ao vice-presidente José Alencar e afirma que o PMDB está unido em torno de Michel Temer para ocupar a vaga e vice na chapa da Ministra Dilma.
Acompanhe na íntegra.
'Sem aliança em Minas, meu eleitor se sentirá traído'
Entrevista com Hélio Costa: ministro das Comunicações. Para ele, PT e PMDB serão derrotados na disputa pelo governo de Minas Gerais se concorrerem separadamente no EstadoGerusa Marques, Marcelo de Moraes
OBJETIVO - "Estou projetado para uma campanha de governador e a segunda opção é o Senado", diz Costa
BRASÍLIA
Na avaliação do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), PT e PMDB serão derrotados na disputa pelo governo de Minas se concorrerem separadamente no Estado. Ele acredita que isso poderá até comprometer o desempenho eleitoral da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, na disputa presidencial.
Costa quer disputar o governo e propôs ao PT que seja escolhido aquele que estiver melhor nas pesquisas até março. O ministro tem liderado os levantamentos feitos até agora e os petistas resistem a abrir mão da cabeça de chapa, optando pelo ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e pelo ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel.
Para o ministro, seus eleitores "não entenderão" se o PT mineiro for intransigente na negociação local com o PMDB e podem acabar rejeitando a candidatura de Dilma no Estado. "Mesmo que eu, cumprindo com a minha questão de honra de apoiá-la, o faça, ela perde. Porque o meu eleitor vai se sentir traído."
A sucessão mineira é hoje o nó político que mais preocupa as cúpulas do PMDB e PT por conta das dificuldades para fechar um palanque comum aos dois partidos e pelo tamanho do colégio eleitoral, o segundo maior do País. Tanto que o governo chega a pensar na possibilidade de lançar o vice-presidente José Alencar (PRB) como uma opção de consenso. Embora Costa afirme que apoiaria o vice, PT e PMDB, extraoficialmente, discordam.
Diante do engajamento do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), na campanha de seu vice, Antônio Anastasia, Costa acha que a negociação com PT, considerada impossível até o mês passado, poderá finalmente evoluir. Segundo o ministro, acabou o clima de "beligerância", dando início a um processo de negociação com os pré-candidatos petistas. A seguir, os principais trechos da entrevista:
O que o senhor achou da declaração do vice-presidente dizendo que poderia concorrer ao governo de Minas?
José Alencar é hoje uma das pessoas mais queridas, admiradas e certamente competentes que temos no quadro político de Minas Gerais. Se ele disser que é candidato a governador, acho que é até inteligente.
O senhor o apoiaria? E o PT?
Sem dúvida nenhuma. Espero que o PT também. A origem dele é no PMDB. Acho que o PT deve muito a ele, principalmente na primeira campanha do presidente Lula.
E se ele concorrer ao Senado?
Também tem todo o apoio do PMDB. Possivelmente não teremos candidato ao Senado para apoiar a candidatura dele.
Minas tem um dos cenários mais complicados para a montagem de aliança entre PMDB e PT. O senhor tem conversado com o PT?
A pedido do presidente Lula, fazemos todas as quartas-feiras um encontro entre a direção do PMDB e do PT. O que a gente tem discutido são os caminhos que vão nos levar a uma aliança. A nacional já temos consagrada. Estamos trabalhando duramente para encontrar soluções regionais, principalmente em Minas Gerais, Bahia e Ceará.
O senhor acha que a decisão regional tem de sair depois da decisão do candidato a vice?
Não necessariamente. Acho que a questão da coligação nacional está definida. As questões estaduais são muito importantes e espero que sejam parte desse compromisso nacional. A minha visão dá a Minas uma importância considerável nesse próximo pleito. Será muito difícil a vitória de um candidato da base do governo em São Paulo.
É possível haver dois palanques governistas em Minas?
Ainda vivemos um pouco da história do PSD e da UDN em Minas. Se você é do PSD não sobe no palanque da UDN e vice-versa. O eleitor não aceita isso. Não adianta me pedir para ir a um palanque adversário porque não vou. O PMDB nunca fez imposições em Minas. A única exigência é que ninguém faça exigências absurdas.
O PT mineiro está fazendo?
Eles têm de responder a eles mesmos, para o presidente da República e para a candidata Dilma. Porque nós do PMDB estamos unidos, absolutamente conscientes da importância do nosso partido em Minas.
Existe um impasse?
O importante é que temos conversado. O candidato que tiver a melhor performance nas pesquisas será o escolhido.
Os pré-candidatos petistas têm resistido a essa proposta...
Acho que principalmente com relação ao PT, está começando a cair a ficha que o adversário não é o PMDB, mas o governo (local). A dependência dos poderes públicos com o Estado é muito grande. Não interessa o candidato, nem o nome. É o governo de Minas que é forte.
O senhor será candidato independentemente de o PT aceitar a aliança?
Posso até, lá na frente, dependendo de uma série de circunstâncias, rever. Mas, neste momento, essa é a linha do partido.
E se o PT não fizer a aliança?
Paciência. Até porque não estamos impondo candidatura. Estamos quase fazendo um apelo por aliança e vamos encontrar o candidato. Não tem nada mais correto, cristalino e inteligente do que estamos falando.
Tem quem aposte que o senhor pode romper com o governo federal se o PT não apoiá-lo e que poderia se juntar ao governador Aécio Neves...
Tem cinco anos que estou aqui dentro. Oito anos apoiando e atravessei os dois mandatos. É impossível dizer que vou apoiar o Serra. Não posso fazer isso. Seria quase um absurdo.
Mas seus apoiadores podem não se empenhar pela campanha da ministra Dilma?
O fato de você estar no contexto de uma aliança, com todas as chances de vitória, faz com que seus eleitores vejam sua campanha de uma forma. Se eu afirmar que minha candidata é a ministra, mas, de certo modo, estou injuriado com o PT, a resposta será outra.
O senhor pode ser candidato a vice na chapa da ministra?
Vice não é uma candidatura, é um convite. Quem foi convidado para ser vice foi o Michel Temer. É o nosso candidato e tem todo o meu apoio. Só posso dizer que fico honradíssimo quando pensam no meu nome. Não é o melhor dos possíveis mundos em que eu gostaria de me ver. Eu acho que estou projetado para uma campanha de governador. E se tiver qualquer variação, a segunda opção é o Senado.
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