A SEDUÇÃO PETISTA

quinta-feira, fevereiro 04, 2010 / /

Enquanto o PMDB e o PT nacional  trabalham para fechar um acordo, até no máximo depois do carnaval em torno das questões estaduais, o  PT de Minas rema contra a maré e insiste em lançar o vice-presidente José Alencar ao Palácio da Liberdade. 
Vale lembrar que, a mesma turma do PT que hoje insiste com a candidatura de Alencar, o alijou do processo das eleições municipais de 2008, descartando suas opiniões e seus votos. 
O vice-presidente, político sábio que é, ainda não decidiu sobre seu futuro eleitoral. 
José Alencar  tem todos os atributos para ser um bom candidato e consequentemente um bom governante, é um político   sério, tem o carinho da população e o respeito de aliados bem como de adversários políticos. Mas será que ele vai aceitar a missão de uma desgastante e cansativa campanha eleitoral? Vamos aguardar...
Leiam abaixo artigo de Carlos Lindemberg em sua coluna no Hoje em Dia.


PT tenta seduzir José Alencar para barrar o senador Hélio Costa
 
Sem conseguir apaziguar as suas alas internas, o PT mineiro corre o sério risco de canonizar o vice-presidente José Alencar, já transformado por muitos como uma espécie de monumento cívico em vida do país. Hoje, uma nova comissão de petistas ilustres de Belo Horizonte estará com José Alencar, repetindo o mesmo ramerrão da que esteve dois dias antes: que José Alencar pode ser o nome capaz de unir as alas internas do PT e ainda o PMDB. Por alas internas, leiam-se o ministro Patrus Ananias e o ex-prefeito Fernando Pimentel. E por PMDB, leia-se o ministro Hélio Costa, que não come no mesmo prato dos petistas.
O ponto de convergência seria o lançamento de José Alencar como candidato ao Governo de Minas, hipótese contra a qual ninguém supostamente iria. De f ato, José Alencar tem sido merecedor de homenagens por onde anda. A sua determinação para enfrentar o câncer que lhe corrói o abdome tem sido exemplo de firmeza, coragem e disposição para a luta. Qualidades que se somam à sua integridade, quer como político quer como empresário. O povo gosta de líderes destemidos, fortes e sempre dispostos ao combate. Tem sido assim ao longo da história da humanidade.
No caso de Alencar, acrescente-se o bom humor com que ele enfrenta a adversidade. Ainda outro dia, ao responder a uma provocação de um jornalista sobre a dureza da campanha eleitoral, ele disse que, "em tempo de guerra, boato come terra". Alencar tem sempre uma boa tirada e isso agrada.
Mas, no mesmo dia em que foi ovacionado pelo Congresso Nacional, Alencar fez distinção entre homenagens e carinho com o voto que elege ou derrota. Ele sabe que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
O que o PT busca ao ir atrás de José Alencar, acenando com a possibilidade do Palácio da Liberdade, não é outra coisa senão tentar afastar a candidatura do ministro Hélio Costa, tão legítima como a de Patrus ou a de Pimentel. De forma que o vice-presidente sabe disso, como se lembra como foi tratado pelo PT local quando escolheram o atual prefeito Marcio Lacerda, sem sequer lhe comunicarem a opção. Alencar tomou conhecimento do acerto pelos jornais e se queixou com o presidente Lula. De forma que ele conhece o jeito petista de escolher candidatos.
Ademais, a escolha do candidato da base aliada ao Governo de Minas não se dará por esse caminho. A menos que Lula queira subestimar a força do governador Aécio Neves, a escolha do candidato não será feita por meio de homenagens ou de preferências pessoais. Lula só tem um objetivo na cabeça: eleger a ministra Dilma Rousseff. Para isso, ele precisa do apoio do PMDB nacional e, para ter esse apoio, ele terá que acertar a composição de sua base aliada em Minas. É nessa lógica que joga o ministro Hélio Costa. E é contra essa mesma lógica que aposta o PT de Minas.

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